
Inclusão e Saúde Mental: Congresso de Psicodrama promove reflexão para mulheres privadas de liberdade em Campo Grande
Com o objetivo de levar ferramentas de apoio psicológico e promover a assistência integral no sistema prisional, o Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” (EPFIIZ) sediou, na última semana, uma ação terapêutica pioneira. Dessa maneira, a atividade integrou a programação oficial do 25º Congresso Brasileiro de Psicodrama (CBP), que este ano escolheu Campo Grande como sede. Nesse sentido, a iniciativa reuniu cerca de 40 mulheres privadas de liberdade para uma experiência coletiva de escuta qualificada, fortalecimento emocional e revisão de suas trajetórias de vida.
A Metodologia do Psicodrama no Contexto Prisional
A princípio, a ação recebeu o nome de “Psicodrama In Cárcere” e faz parte do projeto “Memórias em Ato”, idealizado pela Federação Brasileira de Psicodrama (Febrap). Portanto, ao celebrar 50 anos de atuação no país, a entidade busca romper os muros acadêmicos e aproximar a ciência das populações em situação de vulnerabilidade social. Dessa forma, psicólogos especializados conduziram dinâmicas de grupo que estimulam a expressão de sentimentos e a criação de novos vínculos afetivos, estruturando os trabalhos em três eixos fundamentais:
Território: A compreensão do espaço físico, social e simbólico que cada interna ocupa na sociedade.
Memória: A valorização da história individual como elemento central para a reconstrução da própria identidade.
Transformação: O foco principal do psicodrama, que visa abrir novas perspectivas de futuro e reinserção social.
Vale ressaltar ainda que os psicólogos Carolina Arguelles Poletto, Laura Sperafico e Vinnicius Stangler Schneider, todos integrantes do coletivo Ato Vivo de Psicodrama (RS), lideraram as intervenções. Consequentemente, a vasta experiência da equipe em grupos reflexivos garantiu um ambiente seguro para que as participantes revisitassem suas memórias com dignidade.
Parceria Institucional e Assistência Integral
No que diz respeito à viabilização do projeto, o representante do comitê organizador do congresso, Rômulo Said Monteiro, articulou a iniciativa diretamente com a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen). Dessa maneira, o Governo de Mato Grosso do Sul reforça seu compromisso com a humanização do sistema prisional, assegurando que o cumprimento da pena inclua o cuidado com a saúde mental. Nesse contexto, servidores da unidade penal e técnicos da área de assistência acompanharam de perto os trabalhos para garantir o suporte contínuo às detentas.
Além disso, os organizadores enfatizaram que ações dessa natureza elevam a autoestima e estimulam a consciência coletiva das internas. Assim sendo, o tratamento psicológico funciona como um pilar indispensável para que as mulheres construam novos projetos de vida longe da criminalidade, preparando-as para o retorno definitivo ao convívio social.
O Papel Social da Ciência dos Grupos
Em suma, a realização do “Psicodrama In Cárcere” demonstra que o conhecimento científico produz impactos reais quando direcionado para a transformação social. Afinal, o 25º Congresso Brasileiro de Psicodrama cumpre seu papel político e comunitário ao deixar um legado prático para a população de Campo Grande durante a realização de seus debates sobre saúde mental. Logo, a expectativa da Agepen é manter as portas abertas para novas parcerias acadêmicas, consolidando MS como referência em projetos eficientes de ressocialização.












