• 24 junho, 2026

Polícia Científica: Parceria entre Governo de MS e UFMS transforma pesquisas acadêmicas em exames periciais

A cooperação técnica entre a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul (PCi-MS) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) vem colhendo resultados práticos e inovadores na segurança pública. Dessa maneira, o intercâmbio aproxima estudantes da prática forense real e transforma estudos acadêmicos em métodos aplicados em investigações criminais. Nesse sentido, as atividades de laboratório ganham o reforço do conhecimento universitário, otimizando o esclarecimento de crimes no Estado.

O Caso da Bromadiolona e a Validação de Métodos

Os pesquisadores desenvolveram, por exemplo, uma metodologia específica para detectar a bromadiolona, substância altamente tóxica presente em rodenticidas. Os peritos da Divisão de Química e Toxicologia (DQT) já utilizam esse mecanismo, portanto, para analisar o conteúdo gástrico de cães e gatos com morte suspeita de envenenamento. Com efeito, essa inovação oferece um suporte técnico robusto para subsidiar os inquéritos policiais que chegam ao Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF).

A trajetória da pesquisadora Brenda Pache Moreschi ilustra perfeitamente o sucesso dessa ponte científica. Ela ingressou no IALF em 2019 como estagiária voluntária e seguiu na área até o doutorado em Química Analítica. Dessa forma, Brenda validou um método analítico inovador por cromatografia gasosa para determinar a pureza de cocaína apreendida no Estado, convertendo, consequentemente, sua vivência prática em produção científica de alto impacto internacional.

Estrutura da Parceria e Cadeia de Custódia

A aproximação com a universidade organiza-se atualmente em duas frentes de trabalho bem definidas. A diretora do IALF, Josemirtes Socorro Prado da Silva, esclarece que a primeira foca na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico na pós-graduação. A segunda linha atua, além disso, no estágio supervisionado para graduandos de Química e Farmácia-Bioquímica. Assim sendo, o convênio insere os estudantes na rotina das matrizes complexas e nas exigências rígidas da cadeia de custódia.

O Instituto de Química (Inqui) da UFMS contribui diretamente com a orientação acadêmica e com a transferência de tecnologia. O professor Bruno Gabriel Lucca estima, nesse contexto, que a parceria já soma cerca de dez projetos concluídos ou em andamento. Os artigos publicados em revistas internacionais documentam os novos métodos, permitindo, de igual modo, que a experiência pericial de Mato Grosso do Sul dialogue abertamente com a comunidade científica mundial.

Desafios da Fronteira e Atualização Tecnológica

A condição de Mato Grosso do Sul como Estado de fronteira exige uma atualização laboratorial permanente das forças de segurança. Afinal, o surgimento contínuo de novas drogas sintéticas, canabinoides e praguicidas demanda respostas rápidas da polícia. Logo, o diálogo constante com a academia permite testar e documentar procedimentos que retornam ao serviço público como ferramentas de apoio aos exames. Como resultado, o Poder Judiciário e a população recebem laudos periciais mais precisos, garantindo maior justiça e rigor científico nas investigações.

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