• 24 junho, 2026

Saúde da Mulher: Anvisa aprova medicamento não hormonal inédito contra fogachos da menopausa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do fezolinetanto, uma terapia oral não hormonal indicada para o tratamento das ondas de calor e dos suores noturnos associados à menopausa. Dessa maneira, o órgão regulador abre uma nova alternativa terapêutica para mulheres que possuem contraindicação à reposição hormonal tradicional. Nesse sentido, o medicamento chegará ao mercado brasileiro sob o nome comercial Veoza, fabricado pela farmacêutica Astellas Farma.

Testes Clínicos e Mecanismo de Ação no Cérebro

A aprovação da Anvisa ocorreu, por exemplo, após o laboratório apresentar laudos de três ensaios clínicos de fase 3, que contaram com a participação de mais de 3 mil indivíduos na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá. Os testes laboratoriais demonstraram, portanto, a segurança e a eficácia da molécula no organismo humano. Com efeito, os cientistas explicam o funcionamento da medicação a partir do equilíbrio químico cerebral:

  • Equilíbrio Hormonal Pré-Menopausa: Os estrogênios e a substância neurocinina B (NKB) atuam em harmonia no cérebro, regulando o centro de controle térmico do corpo.

  • A Desarmonia na Menopausa: Os ovários reduzem a produção de estrogênios, quebrando essa estabilidade e disparando os sintomas vasomotores.

  • Atuação do Fezolinetanto: A nova pílula bloqueia especificamente os receptores de NKB, restaurando o equilíbrio térmico sem a necessidade de introduzir hormônios artificiais.

A indústria farmacêutica desenvolveu essa tecnologia, além disso, para neutralizar diretamente o gatilho dos fogachos no hipotálamo. Consequentemente, o tratamento reduz a frequência e a intensidade dos episódios de suor repentino já nas primeiras semanas de uso contínuo.

O Impacto dos Sintomas na População Brasileira

Os sintomas vasomotores moderados e intensos afetam, por sua vez, até 80% das mulheres com idade entre 40 e 65 anos em todo o mundo. No Brasil, todavia, os dados epidemiológicos revelam um cenário ainda mais preocupante do que a média global. Dessa forma, cerca de 36,2% das brasileiras nessa faixa etária sofrem com crises moderadas a graves, índice que supera significativamente a taxa de 15,6% registrada no restante do planeta.

Entre as pacientes que relatam o problema no país, quase 70% classificam as ondas de calor como severas. Esse quadro gera, assim sendo, um impacto devastador na qualidade do sono, na produtividade profissional e no bem-estar emocional. Por isso, a chegada de uma terapia não hormonal representa um avanço crucial para a ginecologia nacional.

Nova Era no Tratamento do Climatério

O aval da Anvisa para a comercialização do Veoza consolida, em suma, um marco importante para a saúde pública e privada no Brasil. Afinal, milhares de mulheres que sofriam com os efeitos colaterais ou restrições da terapia de reposição estrogênica passam a contar com um tratamento seguro e focado na raiz neurológica do problema. Logo, a expectativa da comunidade médica gira em torno da rápida distribuição do produto nas farmácias, oferecendo um envelhecimento saudável e com mais dignidade para a população feminina.

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