• 10 julho, 2026

Corrupção no Rio: Operação do MPRJ prende presidente do Instituto Rio Metrópole por desvio milionário

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma operação nesta quinta-feira (9) e prendeu seis pessoas envolvidas em um suposto esquema de corrupção. De acordo com as investigações, o grupo desviou R$ 86,28 milhões dos cofres públicos fluminenses nos últimos anos. Entre os alvos detidos pelas autoridades está o presidente do Instituto Rio Metrópole (IRM), Davi Perini Vermelho, conhecido popularmente como “Didê”. Dessa maneira, a ação cumpriu ainda nove mandados de busca e apreensão na capital, em São Gonçalo e em Teresópolis, visando desarticular a estrutura financeira da organização criminosa.

O Mecanismo do Desvio e os Saques em Espécie

O Ministério Público estadual denunciou formalmente 11 pessoas à Justiça pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e fraude em licitações. Nesse sentido, os acusados utilizavam contratos milionários firmados pela autarquia entre julho de 2022 e maio de 2026 para escoar os recursos públicos. Com efeito, os promotores detalharam que o dinheiro saía do IRM para duas empresas de engenharia contratadas que, logo em seguida, repassavam os valores para o Instituto Bio, uma organização não governamental (ONG) sem funcionários ou estrutura operacional.

A presidente da ONG, Caroline Soares Barros, recebia as transferências em sua conta pessoal e realizava saques massivos em espécie para dificultar o rastreamento financeiro. Além disso, uma empresa privada de escolta armada, controlada por um dos denunciados, realizava o transporte seguro das cédulas. A investigação iniciou em janeiro deste ano, por exemplo, após a polícia flagrar Caroline transportando R$ 500 mil em dinheiro vivo saindo de uma agência bancária em Teresópolis, onde ela atuava simultaneamente como fiscal de contratos do próprio instituto envolvido.

Envolvimento de Agentes Públicos e Familiares de Políticos

Entre as 11 pessoas denunciadas pela força-tarefa está Maurício Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento do IRM e integrante da Comissão de Licitação. O servidor é pai do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) e atuava, segundo o MPRJ, como o principal articulador para direcionar as concorrências públicas em favor das empreiteiras Engeconsult e R. Peotta. Por outro lado, o parlamentar utilizou suas redes sociais para se declarar surpreso com a operação, negando qualquer interferência na nomeação do pai e afirmando que aguarda a apuração rigorosa dos fatos.

A denúncia do Ministério Público aponta também a participação do delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, responsável pelo controle do grupo de segurança que escoltava os valores desviados. Do mesmo modo, o procurador do Estado Marcelo Lopes da Silva acabou denunciado sob a acusação de emitir pareceres jurídicos falsos para dar cobertura legal aos aditivos contratuais. Por conseguinte, o Poder Judiciário determinou o afastamento imediato de todos os envolvidos de seus respectivos cargos públicos, além de ordenar o bloqueio de R$ 86,3 milhões em bens dos investigados.

Instabilidade Política e Posicionamento do Palácio Guanabara

O governo do estado do Rio de Janeiro informou, em nota oficial, que a operação desta quinta-feira reflete um trabalho conjunto de controle interno, uma vez que a Controladoria Geral do Estado (CGE) identificou as primeiras irregularidades. Portanto, o Executivo encaminhou os relatórios auditados diretamente ao Ministério Público para subsidiar a investigação criminal. O comunicado ressalta, todavia, que a atual diretoria do IRM possuía mandato fixo herdado da gestão anterior, o qual se estenderia até o fim de dezembro de 2026.

A crise administrativa ocorre em um momento de profunda transição política no território fluminense. Afinal, o desembargador Ricardo Couto ocupa o cargo de governador interino desde março, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenar Cláudio Castro à inelegibilidade por abuso de poder econômico. Logo, o cenário estadual permanece indefinido até agosto, período em que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar se a escolha do novo governante para o restante do mandato ocorrerá por meio de voto popular direto ou por eleição indireta na Assembleia Legislativa.

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