
Diplomacia: Governo paraguaio convoca embaixador do Brasil após declarações de Lula sobre a Guerra do Paraguai
O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez Lezcano, informou na última quinta-feira (30) a convocação do embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes. Dessa maneira, o diplomata compareceu ao Ministério das Relações Exteriores do país vizinho nesta sexta-feira (31) para prestar esclarecimentos formais. Nesse sentido, o mal-estar diplomático decorre de declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a respeito da Guerra do Paraguai.
Contexto das Declarações e Reação em Assunção
O presidente brasileiro proferiu o discurso durante um evento da empresa Avibras Aeroco no município de Jacareí, em São Paulo. Com efeito, Lula citou o conflito histórico ocorrido entre 1864 e 1870 para defender investimentos públicos na indústria de defesa do país. Portanto, o chefe do Executivo relembrou que, embora o Brasil priorize a diplomacia pacífica, o Paraguai invadiu o território brasileiro, atingindo também o Uruguai e a Argentina na ocasião.
A chancelaria paraguaia considerou as falas insensíveis e ressaltou que a população local enxerga a chamada Guerra da Tríplice Aliança como um episódio extremamente doloroso de sua história nacional. Além disso, o ministro paraguaio e o chanceler brasileiro Mauro Vieira debateram a questão pessoalmente em Lima, no Peru. Consequentemente, o presidente Santiago Peña também conversou diretamente com Lula por telefone para tratar da pauta.
Posição Oficial e Gestão da Crise Diplomática
O governo do Paraguai reforçou que a condução da crise ocorre com firmeza e cautela nas instâncias mais elevadas da diplomacia. Por sua vez, o chanceler Rubén Lezcano declarou que a dignidade do país permanece inegociável e destacou a liderança do presidente Santiago Peña na preservação dos ritos diplomáticos. Dessa forma, a chancelaria paraguaia busca alinhar o discurso histórico sem interromper o diálogo bilateral estratégico.
Em suma, a convocação do embaixador sinaliza o peso histórico e a sensibilidade do tema para o país vizinho. Logo, a atuação conjunta dos dois governos nas próximas semanas será fundamental para conter ruídos políticos e manter a estabilidade das relações no Mercosul.












