• 10 março, 2026

Abramet alerta para riscos no trânsito após renovação automática da CNH e reforça limites de velocidade

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) alerta para riscos no trânsito após mudanças recentes nas regras relacionadas à renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo a entidade, pequenos aumentos na velocidade dos veículos podem elevar significativamente o número de mortes nas vias.

De acordo com dados apresentados pela associação, aumentar a velocidade permitida em apenas 5% pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários das vias. As informações fazem parte da nova diretriz “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, divulgada pela entidade.

Documento reforça limites do corpo humano no trânsito

A diretriz surge no contexto da vigência da medida provisória que permite a renovação automática da CNH, sem a necessidade de exames de aptidão física e mental para alguns motoristas.

Segundo a Abramet, o documento reúne dados científicos que reforçam a necessidade de considerar os limites biomecânicos do corpo humano na formulação de políticas públicas de trânsito.

“A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, destacou a associação em comunicado.

Além disso, o estudo mostra que a energia liberada em um acidente cresce de forma exponencial conforme a velocidade aumenta. Consequentemente, o impacto pode ultrapassar rapidamente a capacidade fisiológica do corpo humano de absorver a colisão.

Usuários vulneráveis são os mais afetados

De acordo com o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior, os dados demonstram que o problema vai além do comportamento do motorista ou da engenharia das vias.

“A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, afirmou.

Nesse cenário, os usuários mais vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas, estão entre os mais afetados.

Além disso, o documento aponta que cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima em colisões fora do veículo está relacionada diretamente à velocidade.

Frota de SUVs também preocupa especialistas

Outro ponto destacado pela diretriz é o crescimento da frota de SUVs e veículos com frente elevada. Segundo a Abramet, esse tipo de veículo pode aumentar o risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo quando o impacto ocorre em velocidades moderadas.

Ao mesmo tempo, dados recentes do DataSUS mostram que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito.

Segundo o documento, esse cenário se agrava pela combinação entre alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física dos usuários das vias.

Renovação automática da CNH levanta debate

A diretriz também discute as implicações da renovação automática da CNH, considerada pela Abramet um tema sensível para a medicina de tráfego.

De acordo com a entidade, algumas condições de saúde podem reduzir significativamente a tolerância do corpo humano a impactos. Entre elas estão:

  • Envelhecimento

  • Doenças neurológicas e cardiovasculares

  • Distúrbios do sono

  • Osteoporose

  • Sequelas de traumatismos

Por isso, a associação defende avaliações médicas periódicas e individualizadas para garantir que o motorista esteja apto a dirigir.

Especialistas defendem gestão da velocidade

A nova diretriz também apresenta recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e sociedade.

Entre as principais orientações estão:

  • Adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana

  • Políticas permanentes de gestão da velocidade

  • Campanhas educativas sobre segurança viária

Segundo a Abramet, decisões relacionadas ao trânsito não devem considerar apenas a fluidez das vias ou a conveniência administrativa.

Renovação automática já beneficiou mais de 323 mil motoristas

O programa de renovação automática da CNH, regulamentado pela Medida Provisória nº 1327/2025, já beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de validade.

Além disso, a medida gerou economia de R$ 226 milhões, valor que seria pago em taxas, exames e custos administrativos.

Entre os beneficiados:

  • 52% possuem CNH categoria B (carros)

  • 45% têm CNH categoria AB (carros e motos)

  • 3% são condutores apenas de motocicletas (categoria A)

  • Demais pertencem às categorias profissionais C e D

Para participar do processo automático, o motorista precisa estar no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), que exige 12 meses sem infrações de trânsito.

Quem não pode renovar a CNH automaticamente

Apesar da nova regra, alguns grupos de motoristas continuam obrigados a realizar a renovação presencial nos Detrans estaduais.

É o caso de:

  • Condutores com 70 anos ou mais, que renovam a CNH a cada três anos

  • Motoristas com validade reduzida por recomendação médica

  • Condutores com CNH vencida há mais de 30 dias

Além disso, motoristas com mais de 50 anos, que renovam o documento a cada cinco anos, poderão utilizar o processo automático apenas uma vez.

Agência Brasil.

Frase-Chave: Comportamento do motorista.

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