
Bancos vão aportar R$ 32,5 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos
Os bancos que integram o Sistema Financeiro Nacional vão realizar um aporte extra estimado em R$ 32,5 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o próximo dia 25. A decisão, tomada pelo Conselho de Administração do fundo nesta quinta-feira (5), busca fortalecer a capacidade financeira da instituição.
Segundo o FGC, os recursos virão da antecipação das contribuições ordinárias feitas pelas instituições financeiras. Nesse caso, o recolhimento corresponde ao equivalente a 60 meses de contribuições.
De acordo com o fundo, a medida pretende garantir maior segurança ao sistema financeiro. Além disso, o objetivo é assegurar que o FGC mantenha capacidade suficiente para cumprir suas obrigações.
“A iniciativa busca garantir a solidez patrimonial do fundo e assegurar o cumprimento das obrigações previstas na legislação”, informou a instituição em nota.
FGC já pagou bilhões a credores do Banco Master
O reforço no caixa ocorre em meio aos pagamentos relacionados ao colapso do Banco Master. Até agora, o Fundo Garantidor de Créditos já desembolsou R$ 38,4 bilhões em indenizações a credores da instituição.
Esse valor, por sua vez, representa cerca de 94% do total estimado para ressarcimentos.
Além disso, aproximadamente 675 mil credores já receberam os pagamentos, o que corresponde a 87% do total de beneficiários previstos.
Banco Central autorizou desconto no compulsório
Paralelamente, o Conselho do FGC tomou a decisão poucos dias após o Banco Central autorizar os bancos a descontar do recolhimento compulsório os valores antecipados ao fundo.
O compulsório, vale lembrar, corresponde à parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter retida no Banco Central.
Na prática, a medida pode liberar cerca de R$ 30 bilhões para as instituições financeiras ao longo deste ano.
Ainda assim, o Banco Central afirmou que a decisão não deverá provocar impacto relevante na economia, pois compensará os recursos que deixarão de circular devido às contribuições antecipadas.
Plano emergencial prevê antecipação de contribuições
Anteriormente, em fevereiro, o FGC já havia aprovado um plano emergencial para cobrir o rombo financeiro deixado pelo Banco Master.
Inicialmente, o programa prevê a antecipação imediata do equivalente a cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados, dividida em três parcelas mensais.
Além disso, o cronograma estabelece novos adiantamentos nos próximos anos. Por exemplo, estão previstos mais 12 meses de contribuições em 2027 e outros 12 meses em 2028.
Consequentemente, o conjunto das medidas poderá representar até sete anos de contribuições antecipadas ao fundo.
Crise do Banco Master motivou medidas emergenciais
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, a autoridade monetária identificou um colapso financeiro provocado por problemas de liquidez.
Segundo as investigações, a instituição teria oferecido rendimentos elevados para atrair investidores, o que contribuiu para o agravamento da crise.
Além disso, as apurações revelaram um esquema de fraudes estimado em cerca de R$ 17 bilhões, envolvendo a criação de carteiras de crédito falsas.
Posteriormente, essas carteiras teriam sido apresentadas ao Banco de Brasília (BRB) em uma tentativa de mascarar o rombo contábil.
FGC assumiu ressarcimento de investidores
Diante desse cenário, o Fundo Garantidor de Créditos passou a atuar para ressarcir os investidores prejudicados.
Ao todo, o valor estimado para cobrir as garantias chega a R$ 40,6 bilhões, beneficiando cerca de 1,6 milhão de credores.
Enquanto isso, as investigações também levaram à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, durante a Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.
Posteriormente, ele chegou a responder ao processo em liberdade sob medidas cautelares. No entanto, acabou preso novamente nesta semana.
Além disso, as apurações resultaram no afastamento de funcionários do Banco Central e na liquidação de outras instituições associadas ao esquema, como a Reag Investimentos e o Banco Pleno.












