• 29 julho, 2026

Combate ao Preconceito: Escritora Carla Akotirene critica visão simplificada do racismo em palestra na UnB

A escritora e pesquisadora baiana Carla Akotirene criticou duramente as abordagens superficiais sobre o racismo na sociedade brasileira durante sua conferência. Dessa maneira, a especialista lamentou que o debate público tenha reduzido a discussão sobre essa violência a episódios pontuais de injúria racial. Nesse sentido, a intelectual abriu a programação oficial do 14º Congresso Brasileiro de Pesquisadores Negros (Copene), evento sediado na Universidade de Brasília (UnB), reforçando que a discriminação atua de forma estrutural e institucional.

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Violência Invisível e a Realidade do Sistema Prisional

A pesquisadora defendeu que a militância antirracista deve avançar para além dos flagrantes gravados por celulares nas ruas. Com efeito, Carla Akotirene destacou que as ações mais severas de racismo e sexismo ocorrem diariamente em unidades de saúde e em penitenciárias sem nenhum registro audiovisual. Portanto, sua pesquisa etnográfica em um presídio feminino na Bahia comprovou que a própria estrutura prisional funciona como uma engrenagem de manutenção do racismo.

A escritora incitou a comunidade acadêmica a aprofundar os estudos sobre a Lei de Execução Penal no país. Além disso, a palestrante argumentou que a sociedade desconhece o tratamento dispensado às detentas e a violência sofrida pelas mulheres sob custódia. Consequentemente, o poder público perpetua uma engrenagem de agressão contra pessoas privadas de liberdade, mantendo as mulheres negras em posição histórica de subalternidade.

Debates Acadêmicos e Desafios no Sistema de Justiça

O 14º Copene reúne pesquisadores para debater projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados às relações étnico-raciais até esta sexta-feira. Por sua vez, o encontro busca valorizar experiências comunitárias e acadêmicas que fortalecem a luta antirracista nos territórios brasileiros. Dessa forma, a presença de Carla Akotirene no evento simboliza as conquistas do movimento negro nas universidades públicas.

Ao analisar o sistema judiciário, a pesquisadora apontou que agentes policiais e magistrados atuam de forma sistemática para criminalizar a população preta e parda. Assim sendo, as abordagens nas comunidades resultam frequentemente em abusos de autoridade e prisões em flagrante conduzidas de maneira açodada.

Em suma, as reflexões apresentadas no congresso reforçam a urgência de encarar o preconceito em suas dimensões institucionais e jurídicas. Afinal, desmantelar o racismo estrutural exige transformar as práticas do Estado e proteger os direitos fundamentais. Logo, a produção científica dos pesquisadores negros consolida-se como um pilar indispensável para a construção de políticas públicas efetivas no Brasil.

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