
Crise Trabalhista: Terceirizados da comunicação do STF aprovam greve por atraso de salários e FGTS
Com o objetivo de protestar contra os atrasos sistemáticos de salários e o não recolhimento de verbas trabalhistas, os jornalistas e radialistas terceirizados do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovaram o início de uma greve geral para a próxima segunda-feira (15). Dessa maneira, a paralisação afetará diretamente os serviços de comunicação da Corte, incluindo a TV Justiça e a Rádio Justiça. Nesse sentido, a decisão unânime partiu de mais de 80 empregados da Fundação de Artes e Comunicação (Fundac), contingente que representa mais da metade do setor de comunicação do tribunal.
Frequência de Atrasos e Irregularidades Graves
A princípio, o estopim para a deflagração do movimento paredista envolve o descumprimento de prazos legais elementares por parte da empresa contratada. Portanto, os trabalhadores ainda não haviam recebido os salários de maio até o dia 10 de junho, embora o prazo limite tenha vencido no dia 8. Dessa forma, de acordo com os sindicatos das categorias, as irregularidades financeiras da Fundac arrastam-se há meses e incluem condutas ainda mais graves:
Bloqueio de FGTS: A empresa não recolhe o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço dos colaboradores há quase um ano.
Retenção de Pensões: O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) denuncia que a Fundac desconta valores de pensão alimentícia dos salários, mas retém o dinheiro indevidamente em vez de repassar aos beneficiários.
Prejuízo à Sociedade: A paralisação reduzirá drasticamente a cobertura jornalística do Supremo e interromperá as transmissões ao vivo de julgamentos e sessões plenárias.
Vale ressaltar ainda que a proximidade do fim do contrato vigente gera pânico generalizado entre as equipes. Consequentemente, os profissionais temem que a Fundac abandone os postos de trabalho no STF sem pagar as verbas rescisórias e os direitos atrasados, uma vez que outra empresa assumirá a operação em breve através de uma nova licitação.
O Posicionamento do Supremo e Intervenção Judicial
No que diz respeito à responsabilidade pelos repasses financeiros, a administração do STF divulgou nota oficial para esclarecer que mantém os pagamentos rigorosamente em dia junto à Fundac. Dessa maneira, o tribunal reforça que os atrasos salariais não decorrem de falta de verba pública, mas sim de falhas de gestão da própria prestadora. Nesse contexto, a crise administrativa da Fundac tomou proporções nacionais e exigiu uma intervenção drástica do Poder Judiciário:
Administrador Judicial: A Justiça de São Paulo, onde fica a sede da empresa, destituiu a diretoria e nomeou um administrador judicial para comandar a fundação após identificar fraudes de gestão.
Sanções Administrativas: O STF abriu processos internos de apuração de responsabilidade para aplicar multas e punições contratuais.
Punição de Licitar: A Corte barrou a participação da Fundac em futuros certames do tribunal, muito embora a empresa tenha obtido liminares temporárias na Justiça para tentar disputar novos contratos de R$ 30 milhões.
Além disso, a assessoria do Supremo garante que monitora diariamente a execução do contrato e adota todas as providências cabíveis dentro dos limites da lei para forçar a regularização dos pagamentos. Assim sendo, o tribunal estuda saídas jurídicas emergenciais para resguardar os trabalhadores e evitar o apagão informativo na cobertura do Judiciário.
Impasse Próximo do Prazo Limite
Em uma análise geral, o movimento grevista expõe a fragilidade dos modelos de terceirização em órgãos de soberania nacional. Afinal, a interrupção das transmissões da TV Justiça fere o princípio constitucional da publicidade dos atos oficiais. Logo, a expectativa para as próximas horas gira em torno de uma rodada de negociações mediada pelo administrador judicial recém-nomeado, buscando evitar que o Supremo inicie a semana sem cobertura oficial e com suas principais janelas de comunicação com a sociedade totalmente fechadas.











