• 05 julho, 2026

Economia: Cooperativas de crédito superam R$ 1 trilhão em ativos e expandem presença nacional

As cooperativas de crédito ultrapassaram pela primeira vez na história a marca histórica de R$ 1 trilhão em ativos totais, consolidando a expansão acelerada do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC). Os dados oficiais constam no Panorama do SNCC, documento que o Banco Central (BC) divulgou publicamente. Dessa maneira, o levantamento técnico aponta um crescimento sustentado das operações de financiamento, maior captação de recursos e ampliação da presença física das instituições pelo país. Nesse sentido, os ativos do segmento somaram exatamente R$ 1,036 trilhão, registrando uma alta expressiva de 17% em comparação ao período anterior.

Operações de Crédito e Agronegócio Impulsionam o Setor

O avanço histórico do cooperativismo financeiro foi impulsionado, por exemplo, pelas carteiras de empréstimos, que continuam figurando como o principal componente dos ativos dessas instituições. O setor expandiu de forma agressiva as suas captações comerciais, as quais alcançaram o montante de R$ 834,4 bilhões. Portanto, o resultado positivo decorreu diretamente do aumento expressivo dos depósitos a prazo e das emissões de títulos privados, com destaque especial para a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Dessa forma, os repasses estruturados de recursos governamentais, como os financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também influenciaram positivamente o crescimento.

Essa robusta movimentação de capital reforçou, com efeito, a capacidade das cooperativas de financiar novos projetos voltados a micro, pequenas e médias empresas, além de socorrer o setor agroindustrial brasileiro. Consequentemente, o Banco Central avalia que essa descentralização do crédito oxigena as economias regionais, permitindo que microempreendedores tenham acesso a juros bem mais competitivos do que as taxas cobradas pelos bancos tradicionais.

Base de Cooperados Avança e Cobre a Maioria dos Municípios

O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo expandiu a sua atuação geográfica e passou a atender 59% dos municípios brasileiros. A base total de cooperados também cresceu de forma expressiva, atingindo o patamar de 21,2 milhões de associados vinculados. Desse contingente mapeado, por sua vez, as pessoas físicas representam 17,8 milhões do total, enquanto as pessoas jurídicas somam 3,4 milhões de empresas integradas. Assim sendo, o percentual da população brasileira vinculada diretamente ao modelo cooperativo aumentou em todas as regiões do território nacional, atingindo a marca de 8,4% dos habitantes.

A carteira de crédito das cooperativas registrou, além disso, uma expansão de 13,1%. Esse ritmo de crescimento superou significativamente o restante do Sistema Financeiro Nacional, cuja média de expansão geral travou em 8,5%. Nesse contexto, o cooperativismo ampliou a sua participação de mercado de forma consolidada, abocanhando uma fatia maior das operações destinadas ao consumo familiar e ao capital de giro de pequenos comércios. A autoridade monetária nacional acredita, todavia, que esse movimento fortalece a concorrência bancária e acelera a inclusão financeira no interior do país.

Monitoramento de Riscos e Fusões Organizacionais

O relatório anual do Banco Central também aponta um leve aumento no risco sistêmico da carteira de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para os tomadores empresariais. Apesar dessa elevação flutuante, por outro lado, o órgão regulador garante que o nível de provisões financeiras permaneceu confortavelmente acima das perdas esperadas. Os resultados financeiros do segmento continuaram altamente positivos, mantendo os índices de capitalização em patamares seguros diante de todas as exigências prudenciais do mercado.

O levantamento mostra, em suma, que o número total de cooperativas singulares em atividade caiu de 753 para 742 unidades devido a processos internos de fusões e incorporações. Afinal, essa diminuição estrutural reflete uma estratégia de fortalecimento institucional e não comprometeu a expansão da rede de agências. Logo, a consolidação do setor demonstra maturidade administrativa, garantindo que o cooperativismo financeiro continue avançando e oferecendo concorrência saudável ao oligopólio dos grandes bancos comerciais.

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