
Estudante de Medicina processa universidade por erro acadêmico que impede sua colação de grau
A estudante de Medicina da Universidade Anhanguera Uniderp, Paula Rodrigues Paes, ingressou com uma ação judicial contra a instituição de ensino devido a falhas no lançamento de suas notas no sistema acadêmico. O motivo do processo é o impacto que essas falhas têm em sua colação de grau e na obtenção do diploma, o que compromete diretamente sua carreira profissional. A ação reflete um problema que, infelizmente, tem se tornado mais comum em diversas universidades, onde a desorganização acadêmica pode afetar diretamente o futuro de alunos que já cumpriram com todas as suas obrigações e requisitos.
Erro no Sistema Acadêmico Atrasou a Formatura
No início do segundo semestre de 2024, a turma 23 do curso de Medicina da Universidade Anhanguera Uniderp foi orientada a verificar suas notas no Portal do Aluno. O objetivo dessa verificação era garantir que todos os requisitos acadêmicos necessários para a formatura estivessem em dia. Durante essa revisão, Paula Rodrigues Paes, que estava atenta a cada detalhe de sua trajetória acadêmica, percebeu que diversas disciplinas não tinham as notas lançadas, e algumas Atividades Virtuais de Aprendizagem (AVAs) estavam marcadas como pendentes. Diante dessa situação, ela imediatamente começou a buscar explicações e soluções junto à coordenação do curso e ao suporte acadêmico da universidade.
No entanto, apesar de ter procurado ajuda, a estudante não obteve nenhuma resposta satisfatória, e a situação persistiu. O erro no sistema impediu que Paula conseguisse a colação de grau, essencial para a obtenção do diploma e o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Esse impedimento coloca em risco o início da carreira profissional da jovem, uma vez que o diploma é um requisito imprescindível para o registro profissional e o exercício da Medicina.
Tentativas Frustradas e Falta de Resposta
Diante das falhas que comprometiam o andamento de sua formação, Paula tomou todas as providências necessárias e seguiu as orientações da coordenação do curso. No dia 22 de novembro de 2024, ela refez as Atividades Virtuais de Aprendizagem (AVAs) pendentes, acreditando que o problema fosse ser resolvido com a atualização do sistema. Contudo, a atualização das notas não ocorreu corretamente. Para a surpresa de Paula, um dos conteúdos que permanecia como “não realizados” foi o AVA de Empregabilidade, referente ao 5º semestre, que, para agravar a situação, sequer emite um certificado de conclusão.
A estudante, então, procurou diversos funcionários da universidade, incluindo os responsáveis pelo suporte acadêmico, José Luís e Elana, além de ter entrado em contato diretamente com o coordenador do curso, Dr. Alexandre Cury. Paula, ainda, enviou e-mails e fez ligações, com o objetivo de obter uma solução para o problema que, como ela temia, estava se arrastando sem resolução. Mesmo com inúmeros pedidos de correção, a estudante não obteve respostas concretas. Em nenhum momento, os funcionários ou a coordenação forneceram um prazo específico ou a garantia de que o erro seria corrigido.
Com o prazo para a regularização esgotado, Paula ficou extremamente preocupada. A impossibilidade de colar grau a impedia de dar o próximo passo na sua formação e na sua carreira. A angústia e a frustração de não poder obter o diploma devido a falhas no sistema da universidade eram visíveis, e ela, como muitos outros alunos, se viu sem opções diante da omissão da instituição.
O Impacto Direto na Carreira Profissional
Além de não poder realizar a colação de grau e obter o diploma, o impacto de tal falha no sistema acadêmico vai além do aspecto acadêmico. Paula já havia recebido uma proposta formal de trabalho, e o atraso na regularização de suas notas coloca em risco a aceitação dessa proposta. Sem o diploma e o registro no CRM, a jovem não pode iniciar sua atividade profissional como médica, um dos objetivos mais esperados após anos de dedicação aos estudos.
A situação não afeta apenas Paula individualmente, mas também destaca um problema recorrente nas universidades brasileiras: a falta de organização e comunicação eficaz entre as instituições de ensino e seus alunos. A falha no lançamento das notas, embora pareça um problema técnico simples, tem o poder de prejudicar um aluno de maneira irreversível, impactando diretamente sua vida profissional e pessoal.
Ação Judicial para Regularização das Notas e Indenização
Diante da inércia da Universidade Anhanguera Uniderp em corrigir o erro no sistema acadêmico, Paula decidiu recorrer à justiça. Ela ingressou com uma ação judicial na Vara Federal de Campo Grande/MS, exigindo a correção imediata das suas notas e a liberação de seu diploma. Além disso, Paula pede uma indenização por danos morais, considerando os transtornos causados pela falta de resposta da universidade, e lucros cessantes, já que a demora na regularização impediu que ela iniciasse sua carreira médica e aceitasse a proposta de trabalho.
A situação tem gerado grande repercussão, especialmente porque outro caso semelhante já havia ocorrido com outra aluna da mesma instituição, Raiza, conforme documentos anexados à ação. O fato de o problema afetar mais de um aluno coloca a universidade em uma posição ainda mais delicada, evidenciando falhas sistêmicas e uma possível negligência por parte dos responsáveis pela gestão acadêmica.
Expectativas da Defesa
A defesa de Paula espera que a Justiça conceda uma liminar, decisão provisória que obrigue a universidade a corrigir as falhas no lançamento das notas e a liberar o diploma da estudante o mais rápido possível. A liminar é fundamental para evitar que Paula perca mais tempo e oportunidades. A expectativa é que a decisão judicial seja favorável para a aluna, evitando danos irreparáveis à sua trajetória profissional e acadêmica.
Além disso, a defesa de Paula acredita que o caso pode abrir precedentes para outros alunos que tenham passado por situações semelhantes. A falta de organização no lançamento das notas e o descaso da universidade para corrigir os erros podem resultar em ações judiciais semelhantes, criando um cenário que pode prejudicar ainda mais a credibilidade e a imagem da instituição de ensino.