• 10 julho, 2026

Investigação: Polícia Federal mira empresário suspeito de intimidar jornalistas e servidores no caso Banco Master

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um complexo esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Dessa maneira, os agentes cumpriram mandados judiciais tendo como alvo principal o empresário Thiago Miranda. Nesse sentido, os investigadores acusam Miranda de possuir ligações estreitas com o banqueiro Daniel Vorcaro e de atuar diretamente para intimidar jornalistas e servidores do Banco Central por meio das redes sociais.

Campanhas de Desinformação e Monitoramento de Profissionais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso, autorizou as buscas da PF após analisar os relatórios de inteligência. Portanto, as investigações apontam que Daniel Vorcaro utilizava recursos desviados das fraudes no Master com o objetivo de financiar campanhas de desinformação tanto na mídia tradicional quanto na digital. Dessa forma, a organização criminosa contratava influenciadores digitais para blindar os atos ilícitos da gestão do banqueiro e atacar o trabalho da imprensa.

Conforme os dados contidos na decisão judicial, Thiago Miranda, ex-sócio do Portal Léo Dias, monitorava de perto os passos da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Vale ressaltar ainda que a profissional publicou grande parte dos furos jornalísticos que revelaram os bastidores das fraudes no banco. Consequentemente, o ministro André Mendonça destacou em seu despacho que o empresário desempenhava papel central nessas iniciativas, sendo o principal responsável por realizar pesquisas profundas e levantamentos ilegais acerca da vida privada da jornalista.

Espionagem Contra o CEO do Itaú

A rede de monitoramento clandestino da organização criminosa expandiu-se, além disso, para alcançar grandes lideranças do setor financeiro nacional. As quebras de sigilo revelaram, com efeito, que Thiago Miranda participou do levantamento de informações sigilosas contra Milton Maluhy Filho, atual CEO do Itaú. Nesse contexto, as mensagens interceptadas pela PF mostram Daniel Vorcaro solicitando ajuda explícita para investigar a vida do executivo, obtendo como resposta imediata um “deixa comigo” por parte do empresário.

Os diálogos evidenciam, por sua vez, o modus operandi da organização para constranger qualquer ator econômico ou jornalístico que ameaçasse os interesses do grupo. Assim sendo, os agentes federais apreenderam dispositivos eletrônicos e documentos durante as buscas de ontem para mapear a extensão total desses levantamentos de dados confidenciais.

O Posicionamento da Defesa

O advogado Rafael Martins, responsável pela defesa de Thiago Miranda, enviou uma nota oficial à imprensa negando qualquer irregularidade por parte de seu cliente. O defensor afirmou, por outro lado, que o empresário sempre pautou sua atuação profissional pela estrita legalidade, pela transparência e pelo respeito às instituições democráticas. Por fim, a nota destaca que Miranda não participou de nenhuma conduta destinada a coagir terceiros e que ele permanece à total disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários.

A operação Compliance Zero demonstra, em suma, o rigor das autoridades na proteção à liberdade de imprensa e na fiscalização do sistema financeiro. Afinal, o uso de estruturas corporativas para monitorar e intimidar jornalistas e servidores públicos atenta contra as bases do Estado de Direito. Logo, os desdobramentos das buscas realizadas nesta quinta-feira devem acelerar o processo penal, abrindo caminho para novas fases da investigação em Brasília.

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