• 17 julho, 2026

Mercado Financeiro: Dólar encosta em R$ 5,10 impulsionado por tarifaço americano e aversão ao risco global

Os mercados financeiros encerraram as negociações desta quinta-feira (16) em forte clima de cautela. O dólar comercial registrou nova alta e fechou cotado a R$ 5,098, com uma valorização de 0,40%, refletindo o fortalecimento da moeda estadunidense no exterior. Dessa maneira, o cenário cambial absorveu os impactos diretos da confirmação de novas tarifas dos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. Nesse sentido, a bolsa de valores brasileira acompanhou o movimento global de aversão ao risco e recuou 1,24%, fechando o dia aos 173.825 pontos.

Mercado de Trabalho Americano e os Efeitos Cambiais

O cenário macroeconômico externo impulsionou, a princípio, a valorização da moeda americana. Na máxima do dia, por volta das 14h15, a divisa chegou a atingir a marca de R$ 5,11, desacelerando, portanto, somente nas horas finais do pregão. Com efeito, dados recentes da economia dos Estados Unidos revelaram um mercado de trabalho resiliente e um consumo aquecido, visto que os pedidos semanais de auxílio-desemprego somaram 208 mil, ficando abaixo da expectativa inicial de 217 mil.

Esses indicadores fortalecem, consequentemente, a expectativa de que o Federal Reserve manterá os juros elevados por mais tempo, favorecendo o dólar frente às divisas de países emergentes. No mercado doméstico, por sua vez, os investidores repercutiram a aplicação da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados. Embora a lista de exceções tenha vindo mais ampla do que o esperado, a medida aumentou a cautela geral quanto ao fluxo de dólares que entra no país.

Queda na Bolsa e Desvalorização de Commodities

O índice Ibovespa estendeu as perdas da sessão anterior e acompanhou o fechamento negativo observado em Wall Street. Dessa forma, o indicador consolidou uma perda acumulada de 2,27% na semana, embora ainda registre uma alta de 7,88% no acumulado do ano de 2026. Além da piora no ambiente externo, pesaram sobre as negociações locais as incertezas em torno de uma eventual resposta do governo brasileiro por meio da Lei da Reciprocidade.

As ações de maior peso do índice de ações brasileiro aceleraram, além disso, a queda do Ibovespa. Os papéis da Petrobras, que figuram como os mais negociados da B3, recuaram de forma expressiva acompanhando a desvalorização do óleo bruto. As mineradoras também fecharam a sessão em baixa, sofrendo o impacto direto da desvalorização do minério de ferro no mercado asiático.

Instabilidade no Petróleo e Riscos Geopolíticos

Mesmo com a escalada das tensões no Oriente Médio, os preços internacionais do petróleo terminaram o dia em queda após operarem com forte volatilidade. O barril do tipo Brent, que serve como referência internacional, recuou 0,85% e fechou cotado a US$ 84,23, enquanto o barril WTI registrou queda de 0,82%, negociado a US$ 78,95. Assim sendo, os investidores monitoraram as novas ameaças dos houthis contra as instalações petrolíferas da Arábia Saudita e os riscos nas rotas marítimas do Mar Vermelho.

Apesar do recuo pontual nesta sessão, o mercado financeiro continua projetando o risco de novas interrupções na oferta mundial da commodity. Em suma, esse panorama incerto mantém um prêmio de risco geopolítico permanentemente incorporado aos preços dos contratos futuros. Logo, o fechamento dos mercados desenha um cenário de volatilidade para o restante da semana, exigindo atenção redobrada dos operadores de câmbio e ações.

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