• 09 março, 2026

Mulheres impulsionam o crescimento profissional de outras mulheres, aponta pesquisa

As mulheres desempenham papel central no crescimento profissional de outras mulheres no mercado de trabalho. De acordo com pesquisa inédita realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group, 41% das entrevistadas afirmaram ter recebido apoio principalmente de outras mulheres para avançar na carreira.

Além disso, o estudo ouviu 1.534 mulheres que ocupam cargos de liderança em todo o Brasil. Por outro lado, apenas 14% disseram ter recebido apoio majoritariamente de homens ao longo da trajetória profissional.

Enquanto isso, 29% afirmaram ter contado com ajuda tanto de homens quanto de mulheres. Já 13% relataram não ter recebido apoio relevante, enquanto apenas 3% disseram não conseguir identificar quem mais contribuiu para o avanço profissional.

Percepção varia conforme idade e área profissional

A influência feminina no crescimento profissional se mostra ainda mais forte entre mulheres mais jovens. Por exemplo, entre as entrevistadas de 25 a 40 anos, 48% afirmaram que outras mulheres foram fundamentais para impulsionar suas carreiras.

Da mesma forma, alguns setores apresentam índices ainda maiores de apoio feminino. Nesse sentido, as áreas de marketing, publicidade e comunicação registraram 56%, enquanto o setor de educação e treinamento corporativo alcançou 53%.

Por outro lado, o apoio predominantemente masculino aparece com mais frequência em cargos mais altos. Nesse grupo, 20% das mulheres que ocupam posições de presidente, vice-presidente, CEO ou sócia disseram ter recebido apoio principalmente de homens.

Além disso, o índice também cresce entre mulheres de 41 a 59 anos, chegando a 18%.

Rede de apoio é essencial para o avanço profissional

Segundo Simone Murata, CEO da Todas Group, os dados reforçam a importância da rede de apoio entre mulheres no ambiente profissional.

“Não basta apenas estarmos preparadas. Antes de tudo, precisamos de uma rede sólida de alianças que nos ajude a crescer”, afirmou.

Além disso, Simone destaca que o avanço de uma mulher costuma gerar impacto positivo para outras.

“Quando uma cresce, todas crescem. Portanto, quando uma mulher alcança uma posição privilegiada, ela tende a abrir caminho para outras também avançarem”, explicou.

Carreira feminina exige renúncias importantes

A pesquisa também investigou quais áreas da vida as mulheres costumam sacrificar para avançar profissionalmente. Segundo o levantamento, 74% das entrevistadas disseram ter aberto mão do autocuidado, incluindo saúde física e hobbies.

Além disso, 53% afirmaram ter reduzido o tempo dedicado à família, assim como 53% relataram impacto na saúde mental.

Enquanto isso, 37% apontaram renúncia ao lazer, e cerca de 25% disseram ter adiado ou reconsiderado a maternidade por causa da carreira.

“Frequentemente, nós mulheres colocamos nossas próprias necessidades no final da lista de prioridades”, analisou Simone.

Burnout cresce entre mulheres no Brasil

Ao mesmo tempo, dados do Ministério da Saúde indicam aumento significativo dos casos de Síndrome de Burnout (esgotamento profissional) entre mulheres.

Segundo o levantamento, os atendimentos relacionados ao problema cresceram 54% entre mulheres em 2023 no Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, os números registrados entre mulheres superam os casos observados entre homens.

Diferenças geracionais mostram mudanças no mercado

As renúncias feitas ao longo da carreira também variam conforme a idade. Por exemplo, entre mulheres de 18 a 24 anos, os maiores impactos aparecem na vida social e no lazer (50%), além de relacionamentos afetivos (32%).

Já entre as profissionais de 25 a 40 anos, 58% destacaram a saúde mental como principal sacrifício.

Enquanto isso, entre mulheres mais experientes, 60% apontaram a redução do tempo com a família como a principal renúncia.

De acordo com Simone Murata, essas diferenças refletem transformações no mercado de trabalho ao longo das últimas décadas.

“Há 20 anos, a mulher precisava se provar muito mais. Consequentemente, as concessões feitas por quem hoje tem cerca de 50 anos foram maiores do que as exigidas das novas gerações”, afirmou.

Comunidades femininas fortalecem empreendedorismo

Um exemplo de apoio entre mulheres ocorre dentro do Magazine Luiza (Magalu). Nesse contexto, a executiva Denise Hamano, que atuou por mais de 15 anos no setor de tecnologia, ajudou a criar uma comunidade voltada para mulheres empreendedoras dentro da empresa.

Atualmente, o grupo reúne mais de 3 mil lojistas do Magalu Marketplace, que compartilham experiências e estratégias para impulsionar seus negócios.

Além disso, a comunidade promove programas de mentoria gratuita, nos quais as próprias participantes atuam como mentoras ou mentoradas.

“Elas trocam dicas sobre vendas e gestão. Assim, todas aprendem e crescem juntas”, explicou Denise.

Tripla jornada ainda desafia mulheres empreendedoras

Entretanto, a pesquisa também identificou obstáculos importantes para o crescimento profissional feminino.

Segundo relatos das participantes, a principal dificuldade enfrentada por muitas empreendedoras é a tripla jornada de trabalho, que inclui responsabilidades com casa, filhos e negócios.

Nesse cenário, o tempo para descanso, autocuidado ou capacitação profissional acaba sendo reduzido, o que ainda representa um dos grandes desafios para a igualdade no mercado de trabalho.

Frase-Chave: Crescimento profissional feminino.

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