• 11 março, 2026

Rio de Janeiro recebe encontro internacional para discutir proteção dos oceanos

O Rio de Janeiro recebe, a partir desta terça-feira (10), um importante encontro científico internacional voltado à proteção dos oceanos. O evento discute especialmente o chamado Alto-Mar, termo utilizado para definir áreas oceânicas que não pertencem oficialmente a nenhum país.

Trata-se do 3º Simpósio BBNJ — sigla em inglês para Biodiversidade Além da Jurisdição Nacional. O encontro reúne pesquisadores, representantes de governos, organismos internacionais e integrantes da sociedade civil.

Além disso, o simpósio ganha ainda mais relevância neste ano porque ocorre pouco tempo após o início da vigência do Tratado do Alto-Mar da ONU, que entrou em vigor em janeiro de 2026.

Evento discute implementação do Tratado do Alto-Mar

O Tratado sobre a Conservação e Uso Sustentável da Diversidade Biológica Marinha em Áreas Além da Jurisdição Nacional, conhecido popularmente como Tratado do Alto-Mar, representa um marco na governança global dos oceanos.

Isso porque o acordo estabelece as bases para proteger a biodiversidade em águas internacionais, que atualmente representam cerca de dois terços de todos os oceanos do planeta.

Dessa forma, o simpósio no Rio busca discutir como transformar o tratado em ações práticas, sobretudo a partir do conhecimento científico.

As edições anteriores do encontro ocorreram na Escócia, em 2023, e em Singapura, em 2025.

Ciência e governança dos oceanos estão no centro dos debates

Durante o evento, especialistas debatem diversos temas estratégicos relacionados à proteção dos oceanos. Entre os principais assuntos da programação estão:

  • governança oceânica internacional

  • biodiversidade em alto-mar

  • mecanismos de fiscalização do tratado

  • financiamento da ciência marinha

  • avaliação de impacto ambiental

  • criação de um corpo técnico-científico internacional para apoiar decisões globais

Além disso, o simpósio também inclui discussões sobre o conhecimento de povos indígenas e comunidades tradicionais, reconhecendo a importância desses saberes na conservação ambiental.

Museu do Amanhã recebe evento internacional

O simpósio ocorre no Museu do Amanhã, um dos principais centros culturais e científicos do Rio de Janeiro, e segue até quinta-feira (12).

O evento é organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas (INPO) e conta com inscrições gratuitas, além de transmissão online.

Segundo o diretor de Pesquisa e Inovação do INPO, Andrei Polejack, o encontro busca aprofundar temas que ainda precisam de regulamentação dentro do tratado.

“Focamos em questões que ainda não foram detalhadas no texto do tratado e que dependerão fortemente de evidências científicas para sua regulamentação”, explicou.

Desafios globais para proteger os oceanos

Uma das organizações da sociedade civil que apoiam o evento é a Oceana, entidade internacional dedicada à proteção dos mares.

De acordo com o diretor-geral da organização, Ademilson Zamboni, a implementação do tratado exigirá cooperação internacional.

“O acordo estabelece regras que vão além das jurisdições de cada país. Com isso, pode trazer benefícios para a vida nos oceanos como um todo e até para países que não possuem litoral”, afirmou.

Por outro lado, ele ressalta que essa abrangência também aumenta o desafio de construir soluções globais de governança marítima.

Tratado do Alto-Mar foi resultado de quase 20 anos de negociações

O Tratado do Alto-Mar foi assinado por 86 países após quase duas décadas de negociações multilaterais.

O acordo se estrutura em quatro eixos principais:

  • capacitação e transferência de tecnologias marinhas

  • acesso e repartição justa dos benefícios dos recursos genéticos marinhos

  • criação de áreas marinhas protegidas em alto-mar

  • avaliação de impacto ambiental

Além disso, a expectativa é que ainda em 2026 ocorra a primeira Conferência das Partes (COP) dedicada ao acordo BBNJ, passo fundamental para consolidar a implementação global das medidas.

Proteção dos oceanos ganha novo momento global

Assim, ao reunir cientistas, autoridades e organizações da sociedade civil, o simpósio realizado no Rio de Janeiro contribui para aprofundar o debate internacional sobre a conservação dos oceanos.

Ao mesmo tempo, o encontro reforça o papel da ciência na construção de políticas globais capazes de proteger a biodiversidade marinha e garantir o uso sustentável dos recursos oceânicos.

Agência Brasil.

Frase-Chave: Ciência na construção.

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