• 15 janeiro, 2026

Sorgo avança na safrinha de MS e se consolida como aposta estratégica com demanda das usinas de etanol

Mato Grosso do Sul, atualmente, vive uma transformação relevante na segunda safra. Inicialmente visto como alternativa emergencial, o sorgo passou, gradualmente, a integrar o planejamento econômico do produtor rural. Em síntese, em cinco safras, a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares, principalmente impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho instaladas no Estado.

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Os dados são do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta do Governo do Estado gerida pela Semadesc em parceria com a Aprosoja.

Crescimento acelerado e mudança de estratégia

De acordo com o secretário Jaime Verruck, o avanço do sorgo “não é casual, é estratégia”. Nesse sentido, a leitura dos dados indica que o mercado estruturado, sobretudo com contratos firmados pelas usinas, foi decisivo para a expansão da cultura.

  • Área cultivada: de ~5 mil ha no início dos anos 2020 para ~400 mil ha em 2024/2025

  • Crescimento: superior a 7.700% em cinco safras

  • Portanto, o motor do avanço foi a demanda industrial das usinas de etanol de milho

Os números do SIGA também convergem com levantamentos da Conab e do IBGE. Contudo, o SIGA se destaca por detalhar com precisão a velocidade e a distribuição territorial do crescimento no Estado.

A virada a partir da safra 2021/2022

A partir de então, a expansão ganha escala na safra 2021/2022, quando o sorgo passa a ocupar áreas maiores. Em seguida, após ajustes naturais, a cultura retoma o avanço e, finalmente, cresce com força em 2024/2025, praticamente dobrando de tamanho.

Para Verruck, assim, o comportamento confirma que o sorgo deixou de ser solução pontual e passou a integrar a safrinha, especialmente em áreas com:

  • Janela curta após a soja

  • Maior risco climático

  • Consequentemente, necessidade de reduzir perdas produtivas e financeiras

Demanda das usinas garante previsibilidade

Além disso, a consolidação das usinas de etanol de milho foi determinante. Antes, a expansão era limitada pela falta de demanda estruturada. Entretanto, o cenário mudou com contratos de compra, previsibilidade e escala.

“Quando o mercado passou a dar sustentação à cultura, a área plantada avançou de forma contínua”, afirma Verruck.

Onde o sorgo mais cresce em MS

Conforme o SIGA, na safra mais recente, cerca de metade da área de sorgo de segunda safra concentrou-se em dez municípios. Em destaque, aparecem Ponta Porã e Maracaju, seguido por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.

Desse modo, o desenho territorial mostra que o sorgo avança onde o milho enfrenta limitações climáticas ou de janela, funcionando, por consequência, como instrumento de gestão de risco.

Resiliência e viabilidade econômica

Na avaliação do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o SIGA evidencia que o sorgo se firmou, ao longo do tempo, como alternativa viável para a segunda safra.

“Por ser mais resistente às intempéries climáticas e a problemas sanitários, o sorgo se encaixa melhor em áreas marginais”, explica.

Com isso, a entrada das usinas de álcool de cereais alterou a lógica do plantio. Hoje, com mercado garantido, contratos e estrutura de armazenagem, entraves históricos foram superados, logo, oferecendo segurança ao produtor para investir.

Cenário nacional reforça protagonismo

No âmbito nacional, as projeções indicam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores, segundo a Conab (dezembro/2025).

Em conclusão, para Verruck, o caso do sorgo em MS comprova que quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, a produtividade cresce, assim como o risco diminui e o desenvolvimento se consolida. Por fim, as usinas de etanol de milho cumprem papel estratégico ao integrar produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo cadeias locais e ampliando o uso eficiente do solo.

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