• 09 março, 2026

SUS inicia novo tratamento contra malária em crianças

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a utilizar um novo tratamento contra a malária em crianças menores de 16 anos, ampliando o combate à doença no Brasil. A partir de agora, o Ministério da Saúde passou a disponibilizar a tafenoquina na formulação pediátrica de 50 mg, indicada para pacientes com peso entre 10 kg e 35 kg.

Atualmente, o público infantil concentra cerca de 50% dos casos de malária no país. Até então, o medicamento estava disponível apenas para jovens e adultos a partir de 16 anos, o que limitava as opções terapêuticas para crianças.

Distribuição prioriza regiões da Amazônia

Inicialmente, o Ministério da Saúde realiza a distribuição do novo medicamento de forma gradual, priorizando áreas com maior incidência da doença na região Amazônica.

Além disso, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer esse tratamento específico para crianças. Para viabilizar a medida, o governo planeja distribuir 126.120 comprimidos da tafenoquina pediátrica em todo o território nacional.

Ao mesmo tempo, o medicamento será utilizado principalmente em casos de malária causada pelo parasita Plasmodium vivax. Contudo, o tratamento exige algumas condições: o paciente deve pesar mais de 10 kg e não pode estar em período de gestação ou amamentação.

Novo medicamento facilita adesão ao tratamento

Anteriormente, o tratamento contra a malária exigia um esquema terapêutico de até 14 dias, o que frequentemente dificultava a adesão, especialmente entre crianças.

Agora, com a nova formulação, o medicamento pode ser administrado em dose única. Consequentemente, o tratamento se torna mais simples e confortável para pacientes, familiares e profissionais de saúde.

Além disso, a nova terapia contribui para:

  • Maior adesão ao tratamento

  • Eliminação completa do parasita

  • Redução das recaídas da doença

  • Diminuição da transmissão da malária

Segundo o Ministério da Saúde, o medicamento também permite ajustar a dose conforme o peso da criança, o que aumenta a eficácia da terapia.

Investimento e distribuição inicial do medicamento

Para garantir a implementação da nova estratégia, o Ministério da Saúde investiu R$ 970 mil na aquisição do medicamento. Até o momento, o governo já recebeu 64.800 doses, que serão destinadas a regiões com maior incidência da doença.

Entre as áreas prioritárias estão:

  • Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami

  • Alto Rio Negro

  • Rio Tapajós

  • Manaus

  • Vale do Javari

  • Médio Rio Solimões e Afluentes

Essas regiões concentram aproximadamente 50% dos casos de malária em crianças e adolescentes de até 15 anos.

Primeiramente, o território Yanomami recebeu 14.550 comprimidos, tornando-se a primeira área do país contemplada com a nova formulação pediátrica. Vale lembrar que, em 2024, essa mesma região já havia recebido a tafenoquina de 150 mg, destinada a pacientes com mais de 16 anos.

Malária ainda representa desafio de saúde pública

De acordo com o Ministério da Saúde, a malária continua sendo um dos principais desafios de saúde pública na Amazônia, especialmente em regiões de difícil acesso e territórios indígenas.

Nessas áreas, fatores geográficos e sociais aumentam a vulnerabilidade das populações à doença.

Por isso, o governo tem intensificado diversas estratégias de combate, entre elas:

  • Monitoramento epidemiológico constante

  • Busca ativa de casos

  • Distribuição de testes rápidos

  • Ações de controle do mosquito transmissor

Dados mostram avanços no controle da doença

Nos últimos anos, o país registrou avanços importantes no enfrentamento da malária.

Entre 2023 e 2025, por exemplo, o território Yanomami apresentou:

  • Aumento de 103,7% na realização de testes

  • Crescimento de 116,6% nos diagnósticos

  • Redução de 70% nos óbitos causados pela doença

Em escala nacional, o ano de 2025 registrou o menor número de casos de malária desde 1979, com 120.659 notificações.

Além disso, o número representa uma redução de 15% em relação a 2024.

Da mesma forma, as áreas indígenas do país apresentaram queda de 16% nos casos registrados.

Amazônia concentra quase todos os casos do país

Apesar dos avanços, a malária ainda permanece fortemente concentrada na região Amazônica.

Atualmente, cerca de 99% dos casos da doença no Brasil ocorrem nessa região.

Somente no ano passado, foram registrados 117.879 casos de malária na Amazônia, reforçando a necessidade de manter e ampliar as estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Frase-Chave: Tratamento da malária em crianças.

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