
Tecnologia inédita em Mato Grosso amplia precisão no tratamento das doenças do coração
Procedimento realizado no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, combina ultrassom intracoronário e infravermelho para ampliar o diagnóstico e o planejamento do tratamento das doenças coronárias
Mato Grosso passou a contar, em julho, com uma nova tecnologia capaz de ampliar a precisão no diagnóstico e no planejamento do tratamento das doenças coronárias. O primeiro procedimento com o Sistema Makoto no estado foi realizado com sucesso no dia 15, no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá.
A tecnologia permite uma avaliação mais detalhada das artérias coronárias, auxiliando os médicos na tomada de decisões mais precisas e individualizadas durante o tratamento.
O avanço ganha relevância diante do impacto das doenças cardiovasculares sobre a população. Em Mato Grosso, elas lideram as causas de mortalidade e são responsáveis por cerca de 6 mil óbitos por ano, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde, por meio do DataSUS.
O cenário estadual acompanha uma realidade preocupante no país e no mundo. No Brasil, as doenças cardiovasculares provocam cerca de 400 mil mortes anualmente, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em todo o mundo, aproximadamente 17,9 milhões de pessoas morrem por ano em decorrência dessas doenças, segundo a Organização Mundial da Saúde.
O procedimento pioneiro foi conduzido pelos cardiologistas intervencionistas Dr. Leandro C. Mandaloufas e Dr. Nelson Artur dos Reis, integrantes do corpo clínico do Hospital Santa Rosa.
O Dr. Leandro C. Mandaloufas é coordenador da Linha Cardiológica e da Residência em Cardiologia do Hospital Santa Rosa e integra a diretoria da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso na gestão 2026-2027. O especialista possui formação pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia.
O Dr. Nelson Artur dos Reis realizou residências em clínica médica e cardiologia pelo Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro, além de residência em hemodinâmica pela Beneficência Portuguesa de São Paulo. Após atuar por anos em importantes hospitais do Rio de Janeiro, passou a integrar a equipe do Hospital Santa Rosa na cardiologia clínica, em 2017, e na cardiologia intervencionista, em 2022.
Para os especialistas, a chegada da tecnologia representa um avanço importante para os pacientes da região.
“O infarto continua sendo uma das principais causas de morte no mundo. Com essa tecnologia conseguimos conhecer melhor a doença de cada paciente e tomar decisões mais precisas e individualizadas durante o tratamento, oferecendo mais segurança e qualidade na assistência”, afirma o Dr. Leandro.
“Ao longo de décadas acompanhando os avanços da hemodinâmica, fica claro que a precisão visual é o nosso maior aliado. Esse novo sistema nos entrega dados extremamente detalhados em tempo real, o que otimiza o planejamento da intervenção e se traduz diretamente em mais segurança para o paciente em sala de cirurgia”, acrescenta o Dr. Nelson.
Como funciona a nova tecnologia
O Sistema Makoto funciona como um scanner de alta precisão das artérias do coração. Inserido de forma minimamente invasiva durante o cateterismo, o equipamento reúne duas tecnologias avançadas em um único exame: o ultrassom intracoronário, conhecido como IVUS, e a espectroscopia por infravermelho, chamada de NIRS.
A angiografia tradicional mostra principalmente o fluxo de sangue dentro das artérias por meio de contraste e raio X. O novo sistema amplia essa análise ao permitir a visualização de detalhes da parede do vaso que não podem ser identificados apenas pelo exame convencional.
“Enquanto o ultrassom nos mostra a anatomia da artéria, seu tamanho real, o grau de calcificação e a qualidade da expansão do stent, o NIRS identifica placas ricas em gordura, que estudos científicos associam a um maior risco de eventos cardiovasculares futuros. Essa combinação representa um avanço importante na cardiologia intervencionista”, explica o cardiologista.
Essa dupla visualização permite identificar as chamadas placas vulneráveis, ricas em gordura e consideradas mais instáveis. Estudos internacionais demonstraram que essas placas estão associadas a um risco aumentado de futuros eventos cardiovasculares, permitindo que o cardiologista personalize o tratamento e o acompanhamento de cada paciente.
“Quanto melhor entendemos a composição da placa e a anatomia da artéria, maior é nossa capacidade de indicar o tratamento mais adequado para cada pessoa. Nosso objetivo é oferecer uma medicina cada vez mais personalizada e baseada em evidências científicas”, acrescenta o Dr. Nelson.
Mais precisão na angioplastia
Na prática, o nível de detalhamento oferecido pela tecnologia auxilia a equipe médica na escolha do diâmetro, do comprimento e do posicionamento do stent, além de permitir a confirmação de que ele foi implantado de maneira adequada.
Estudos científicos demonstram que o uso do ultrassom intracoronário melhora a qualidade da angioplastia quando comparado à angiografia isolada. A associação do IVUS com a espectroscopia por infravermelho também permite identificar placas ricas em gordura relacionadas a um maior risco cardiovascular.
Com a incorporação da tecnologia, Mato Grosso passa a oferecer aos pacientes um recurso já utilizado em importantes centros de cardiologia do mundo, ampliando a capacidade de diagnóstico e auxiliando os médicos na escolha da melhor estratégia para cada caso.
“Essa tecnologia representa mais uma ferramenta para que possamos compreender melhor a doença coronária e tomar decisões cada vez mais fundamentadas durante o tratamento. Quem mais ganha com esse avanço é o paciente”, conclui o Dr. Leandro Mandaloufas.












