
Brasil assume comando da Zopacas e defende Atlântico Sul livre de armas nucleares e conflitos
Com o objetivo de fortalecer a segurança regional e a sustentabilidade, o Brasil assumiu, nesta quinta-feira (9), a presidência da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). Dessa maneira, o país lidera agora uma aliança estratégica composta por 24 nações sul-americanas e africanas. Nesse sentido, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, abriu a reunião ministerial no Rio de Janeiro com um apelo contundente pela manutenção do oceano como um espaço de cooperação, longe das rivalidades geopolíticas que assolam outras partes do globo.
Rejeição a conflitos externos e foco na economia
A princípio, o discurso brasileiro focou na neutralidade e na proteção dos interesses locais. Segundo Mauro Vieira, o mundo enfrenta atualmente o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, citando as crises em Gaza, Irã, Líbano e Ucrânia. Portanto, o ministro rejeitou veementemente a “importação” de tensões internacionais para o Atlântico Sul.
Além disso, Vieira destacou que as guerras no exterior impactam diretamente o bolso do cidadão, provocando a alta nos preços de energia e alimentos. Consequentemente, esse cenário prejudica de forma desproporcional as economias em desenvolvimento, tornando a estabilidade da Zopacas ainda mais vital para a soberania dos países membros.
Defesa, Meio Ambiente e o Santuário de Baleias
No que diz respeito às metas para o mandato de três anos, o Brasil estabeleceu prioridades claras. Atualmente, os dois grandes pilares da aliança são o compromisso com um oceano livre de armas de destruição em massa e o combate a crimes marítimos, como a pirataria e o tráfico de drogas.
No entanto, a pauta ambiental também ganhou destaque especial. Nesse contexto, o governo brasileiro anunciou a intenção de aprovar o Santuário de Baleias do Atlântico Sul ainda este ano. Da mesma forma, os países membros devem assinar hoje a Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho, que estabelece:
Medidas de prevenção contra danos ao ecossistema;
Controle rigoroso da poluição oceânica;
Combate à pesca ilegal e predatória.
O papel da cooperação técnica brasileira
Quanto à execução prática dessa aliança, o Brasil utiliza a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) como seu braço executor. Dessa forma, o país oferece projetos estruturantes que servem de modelo para os parceiros africanos e sul-americanos. De acordo com a embaixadora Luiza Lopes da Silva, o foco recai sobre políticas voluntárias de sucesso, como:
Agricultura familiar e centros de formação profissional;
Alimentação escolar e combate à fome;
Apoio a microempresas em parceria com o Sebrae.
Assim sendo, a cooperação ocorre sempre sob demanda, respeitando a soberania de cada nação. Em suma, a presidência brasileira na Zopacas busca transformar o Atlântico Sul em um corredor de desenvolvimento sustentável e paz. Afinal, como definiu o chanceler Mauro Vieira, os mares devem aproximar os povos e jamais servir de motivo para discórdia.












