• 02 julho, 2026

Inovação Rural: Tecnologia aproxima jovens da ciência e transforma a agricultura familiar em assentamento de MS

Jovens filhos de agricultores familiares discutem inteligência artificial, produção de alimentos e problemas do cotidiano rural em uma sala cercada por lavouras no Assentamento Nova Itamarati, em Ponta Porã. Dessa maneira, o ambiente lembra muito mais um laboratório comunitário do que a imagem tradicional associada ao agronegócio de alta tecnologia, marcado comumente por grandes máquinas e extensas plantações mecanizadas. Nesse sentido, é exatamente nesse espaço diferenciado que pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) desenvolvem projetos voltados à educação, ciência e inovação.

Hub de Inovação e Escuta Comunitária

A iniciativa integra, por exemplo, as ações do Hub de Educação e Inovação Rural, criado em parceria direta com o Governo de Mato Grosso do Sul. A coordenadora do projeto, a médica veterinária e pesquisadora Juliana Carrijo, afirma que o trabalho começou a partir da escuta atenta da comunidade local. O objetivo principal da equipe consistia, portanto, em entender quais eram os principais desafios enfrentados pelos moradores antes de definir qualquer estratégia de atuação na localidade.

O foco dos pesquisadores sempre buscou alinhar a produção de alimentos, o desenvolvimento sustentável e a realidade das famílias que vivem no assentamento. Com efeito, a experiência bem-sucedida em Nova Itamarati ajuda a ilustrar uma transformação muito mais ampla em curso em todo o Estado. A incorporação de tecnologia ao agronegócio deixou de se restringir à mecanização pesada das lavouras, englobando, além disso, pesquisas em biotecnologia, inteligência artificial, bioinsumos e agricultura de precisão dentro das universidades.

Biotecnologia e o Incentivo às Startups Científicas

A biotecnologia desponta atualmente entre as áreas consideradas estratégicas pelo governo estadual, visto que o setor reúne pesquisas voltadas à saúde animal, agricultura e desenvolvimento industrial sustentável. A estimativa das autoridades aponta, consequentemente, que esse mercado específico deve movimentar cerca de R$ 25 bilhões em Mato Grosso do Sul até o ano de 2030. As investigações científicas incluem desde vacinas para doenças do rebanho até soluções biológicas para o greening, doença que afeta gravemente as plantações cítricas na região.

Parte fundamental dessa estratégia econômica passa pelo incentivo às chamadas Deep Techs, que consistem em startups de base científica criadas a partir de pesquisas acadêmicas. O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, explicou que a intenção do comitê é aproximar os pesquisadores do setor produtivo. Dessa forma, o Estado cria um ambiente favorável para que estudantes transformem suas descobertas científicas em produtos comerciais capazes de alcançar mercados fora do país.

Educação e a Permanência do Jovem no Campo

No assentamento de Ponta Porã, a inovação tecnológica surge também como uma tentativa prática de enfrentar outro desafio histórico do meio rural: o êxodo dos jovens para os grandes centros urbanos. O Hub de Educação e Inovação Rural atua, por sua vez, para fortalecer os vínculos identitários entre os estudantes e o território onde eles vivem. O projeto reúne atualmente cerca de 60 colaboradores de diferentes áreas do conhecimento, os quais buscam financiamento constante em editais públicos de pesquisa e extensão.

O espaço físico do hub deverá funcionar como uma espécie de vitrine tecnológica voltada exclusivamente à agricultura familiar de Mato Grosso do Sul. Assim sendo, a estrutura conectará o conhecimento científico e os saberes tradicionais locais em projetos aplicados à sobrevivência econômica do assentamento.

Pesquisa Aplicada e Novo Perfil Econômico

A aposta governamental em ciência aplicada ao agro faz parte de uma estratégia de longo prazo do Estado para diversificar a economia ligada à produção rural. O uso de drones com inteligência artificial e o desenvolvimento de bioinsumos aparecem, em suma, entre as áreas mais promissoras do planejamento estadual. Afinal, o movimento busca criar soluções tecnológicas desenvolvidas dentro do próprio território sul-mato-grossense. Logo, Mato Grosso do Sul consolida sua independência tecnológica ao gerar ferramentas com alto potencial de exportação para outros mercados globais.

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