• 02 julho, 2026

Desenvolvimento Inclusivo: Empreendedorismo e investimentos privados transformam o cenário socioeconômico de Mato Grosso do Sul

A trajetória da empreendedora Marlene Alzira Teixeira Andrade, de 49 anos, ilustra com precisão uma transformação que se repete atualmente em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul. Pequenos negócios que surgem na informalidade dentro de casa ganham mercado, profissionalizam-se e ampliam, dessa maneira, sua contribuição para a economia local. Há dez anos, a produção da Lene Salgados acontecia na cozinha da família, com uma panela pequena que permitia fritar apenas dez unidades por vez. O que começou como uma alternativa para complementar a renda evoluiu, portanto, para uma empresa estruturada e equipada com maquinário industrial.

O caminho até essa expansão exigiu resiliência. Em 2021, Lene enfrentou o diagnóstico de câncer de mama e passou por dois anos de tratamento intensivo. Durante esse período, ela contou com o apoio crucial da família para manter a empresa em funcionamento, conciliando a recuperação da saúde com a gestão do negócio. O incentivo decisivo veio de seu marido, José Erivaldo, que investiu na compra de um freezer para ampliar a capacidade produtiva. Com efeito, o aumento das vendas exigiu novos investimentos em gestão, fazendo a empreendedora migrar do regime de Microempreendedora Individual (MEI) para o Simples Nacional.

Hoje, a empresa conta com acompanhamento contábil regular e planejamento de crescimento assistido pelo Sebrae. A produção saltou de três mil para a marca expressiva de 15 mil salgados mensais, incluindo produtos gourmet no cardápio. Nesse sentido, Lene já planeja contratar funcionários permanentes, pois entende que empreender significa gerar renda e criar oportunidades para a comunidade. Histórias como a dela explicam como o crescimento econômico alcança as pessoas na prática, transformando o esforço individual em fortalecimento familiar.

A Expansão do Empreendedorismo Feminino

Os dados da Receita Federal chancelam essa evolução ao apontarem uma expansão expressiva no número de empresas no Estado. Entre 2023 e 2025, Mato Grosso do Sul registrou o surgimento de 69,5 mil novos negócios, registrando um avanço acumulado de 30,8%. Os pequenos negócios responderam por quase 96% das aberturas, destacando-se, além disso, o protagonismo do empreendedorismo feminino, que saltou de 17,8 mil para 24,1 mil empresas ativas. Os números parciais de 2026 confirmam a continuidade desse movimento, somando mais de 40 mil novos registros até o mês de junho.

A diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, avalia que as mulheres enxergam no empreendedorismo um caminho concreto para a independência financeira e a realização pessoal. Os dados da instituição confirmam essa maturidade de mercado, visto que 61% das empreendedoras atendidas pelo programa Sebrae Delas possuem negócios com mais de três anos de existência. Consequentemente, esse indicador prova que as mulheres não estão apenas abrindo empresas, mas conseguindo mantê-las estruturadas e sustentáveis ao longo do tempo.

O fortalecimento dessa presença feminina está diretamente relacionado à existência de redes de capacitação e troca de experiências. Iniciativas como o Delas Day reúnem dezenas de instituições parceiras mobilizadas para fortalecer o protagonismo das mulheres no mercado de trabalho. Dessa forma, muitas empreendedoras avançam para a profissionalização da gestão, diversificando sua atuação para além dos setores tradicionais de beleza e alimentação, alcançando segmentos de tecnologia, inovação e negócios digitais.

Atração de Investimentos e a Rota Bioceânica

As histórias dos pequenos negócios que prosperam revelam, por sua vez, um ciclo macroeconômico muito maior no Estado. Impulsionado por aportes privados, industrialização e integração logística, Mato Grosso do Sul registrou um crescimento de 13,4% no PIB em 2023, superando em quatro vezes a média nacional. Atualmente, o território reúne mais de R$ 105 bilhões em investimentos privados anunciados, dos quais R$ 81 bilhões já estão consolidados em áreas como celulose, bioenergia, proteína animal e infraestrutura.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse ciclo concentra-se no projeto da Arauco, em Inocência, que injetará US$ 4,6 bilhões na construção de uma nova fábrica de celulose. Da mesma forma, as perspectivas de crescimento ganham um impulso histórico com as obras da Rota Bioceânica, corredor internacional que conectará o Brasil aos portos do Oceano Pacífico. Essa iniciativa encurtará as distâncias até os mercados asiáticos, reduzindo drasticamente o tempo de deslocamento e os custos associados ao transporte de cargas.

O governador Eduardo Riedel destaca que o crescimento econômico funciona apenas como o ponto de partida de sua gestão, e não como o ponto de chegada. O compromisso do Estado consiste em atrair grandes corporações e, assim sendo, garantir que esse desenvolvimento chegue à população por meio de educação de qualidade, qualificação profissional e saúde eficiente. O sucesso real do trabalho governamental mede-se, logo, pela capacidade de transformar a força do PIB em melhoria real na vida das famílias sul-mato-grossenses.

Indicadores Sociais e Redução da Pobreza

Os efeitos práticos dessa expansão econômica aparecem com clareza nos principais indicadores sociais do Estado. O PhD em Economia e professor da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Michel Constantino, lembra que o Brasil ainda convive com elevados níveis de desigualdade de renda. Por isso, o desempenho de Mato Grosso do Sul ganha relevância internacional ao projetar um crescimento de 6,86% para 2025, enquanto o país prevê uma média de 2,3%. Esse dinamismo retirou 40 mil pessoas da linha de pobreza em um período de dois anos.

O fortalecimento do mercado consumidor local reduz, consequentemente, a dependência de programas assistenciais no longo prazo. No pilar Capital Humano do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o Estado alcançou a segunda posição nacional em empregabilidade e formação. Esse desempenho associa-se ao sucesso do programa MS Qualifica, política pública estadual que já ofereceu mais de 500 mil capacitações profissionais para aproximar os trabalhadores das vagas abertas na indústria.

Dados recentes da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE mostram que a proporção de pessoas em situação de extrema pobreza em Mato Grosso do Sul despencou de 2,7% para 1,6%, registrando uma queda superior a 40%. Em suma, o poder público cumpre o papel de construir a ponte entre o grande capital investidor e o pequeno empreendedor local. Assim, o Estado registra atualmente a maior taxa de investimento público do país, equivalente a 15,3% da Receita Corrente Líquida, garantindo que a riqueza circule internamente e beneficie toda a sociedade civil.

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