• 10 julho, 2026

Regulamentação: Ministério da Fazenda notifica 37 fintechs por intermediação de recursos para bets ilegais

O Ministério da Fazenda notificou, nesta semana, 37 fintechs sob a suspeita de intermediar recursos financeiros destinados a casas de apostas ilegais. Dessa maneira, o governo federal determinou que as instituições interrompam imediatamente qualquer relação comercial com essas plataformas clandestinas. Nesse sentido, as autoridades regulatórias pretendem asfixiar o fluxo financeiro do mercado irregular de jogos, prevendo inclusive o bloqueio definitivo dos valores movimentados para posterior destinação aos cofres públicos.

Prazos para Adequação e Sanções Financeiras

As notificações partiram da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) em conjunto com a Receita Federal. Portanto, as empresas de tecnologia financeira terão até o dia 28 de agosto para se adaptarem totalmente às novas diretrizes que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou. Os órgãos fiscalizadores estabeleceram, dessa forma, um prazo regulamentar para o encerramento amigável dos contratos vigentes.

Caso descumpram o prazo, as fintechs responderão solidariamente pelas infrações cometidas no mercado. A punição prevê, além disso, multas severas e proporcionais ao montante total movimentado de forma irregular. Consequentemente, após a entrada em vigor definitiva da resolução, as instituições financeiras terão o tempo recorde de apenas 24 horas para bloquear todas as contas vinculadas às operadoras notificadas.

Destinação dos Recursos Bloqueados e Base Legal

A nova norma jurídica determina que os saldos existentes nessas contas fiquem completamente indisponíveis para saques. Por consequência, o sistema bancário nacional proibirá qualquer movimentação financeira que alimente, direta ou indiretamente, as apostas não autorizadas. Os valores confiscados pela União reforçarão, com efeito, o orçamento do Fundo Nacional de Segurança Pública.

Assim sendo, a medida ganha sustentação legal no decreto presidencial editado em junho por Luiz Inácio Lula da Silva, o qual criou os mecanismos de responsabilização para intermediários. Embora o governo já tenha enviado as notificações formais, os técnicos econômicos decidiram conceder esse período de transição para evitar instabilidades operacionais e garantir o direito de defesa das empresas.

O Impacto do Mercado Irregular no Brasil

A fiscalização federal estima que as 37 fintechs notificadas movimentavam capital de aproximadamente 160 marcas de apostas, as quais gerenciavam mais de 40 mil sites espelhados. Por outro lado, o governo já retirou do ar mais de 54 mil páginas da internet por meio de uma cooperação técnica estreita com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). As projeções oficiais indicam, assim, que cerca de metade das plataformas acessadas no país funcionam na ilegalidade, atingindo um universo expressivo de 25,2 milhões de usuários.

Essas empresas clandestinas operam à margem da lei porque evitam o cumprimento de exigências básicas do setor. Por isso, elas deixam de recolher tributos essenciais, fogem do pagamento da outorga obrigatória de R$ 30 milhões e ignoram os mecanismos de proteção ao apostador, como a autoexclusão. Logo, a estruturação do marco regulatório iniciada em 2023 busca proteger a economia popular e combater a evasão fiscal no território nacional.

O Cerco ao Jogo Clandestino

O endurecimento das regras contra as fintechs demonstra, em suma, que o Ministério da Fazenda identificou o calcanhar de Aquiles das apostas ilegais: o fluxo de pagamento eletrônico. Afinal, sem a facilidade do Pix intermediado por essas instituições reguladas, as plataformas clandestinas perdem a capacidade de reter o público brasileiro. Desse modo, a expectativa do mercado é de uma migração em massa dos usuários para os sites regularizados nas próximas semanas.

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