• 10 julho, 2026

Saúde Pública: Fiocruz aponta queda nacional da Síndrome Respiratória Aguda Grave, mas nove capitais registram alta

Os casos notificados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) mantêm uma tendência de queda no cenário nacional, embora nove capitais brasileiras ainda registrem crescimento da doença. As informações constam no novo boletim InfoGripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta quinta-feira (9). Dessa maneira, o relatório técnico indica que a Influenza B expande sua circulação em estados da Região Centro-Sul. Nesse sentido, o impacto da síndrome atinge com mais força as crianças pequenas, enquanto a taxa de mortalidade permanece concentrada na população idosa.

O Comportamento dos Vírus nas Regiões e Capitais

Os casos graves decorrentes da Influenza B seguem em linha de crescimento no Distrito Federal, em Goiás, Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. O Ceará, o Maranhão, Mato Grosso do Sul, o Paraná e São Paulo apresentam, por outro lado, indícios sólidos de interrupção desse avanço ou sinalizam o início de uma redução. Portanto, o mapa epidemiológico da Semana 26 revela que nove das 27 capitais atingiram níveis de alerta, risco ou alto risco, destacando-se, dessa forma, Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco.

Outras 11 capitais brasileiras também registram a incidência de SRAG em patamares preocupantes de alerta, contudo não apresentam um crescimento sustentado nas últimas seis semanas. Com efeito, essa estabilização em níveis elevados engloba municípios como Aracaju, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Macapá, Maceió, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís. A Fiocruz detalha, além disso, que o aumento de casos nas capitais do Sul e Sudeste atinge principalmente crianças menores de 4 anos de idade, ao passo que o vírus avança simultaneamente sobre os idosos em Manaus e Rio Branco.

Dados Laboratoriais: Vírus Prevalentes e Óbitos

Os exames laboratoriais das últimas quatro semanas apontam que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) responde por 55,9% dos diagnósticos positivos em todo o país. O rinovírus aparece logo em seguida com 23,3% das amostras, acompanhado pela Influenza A com 12,7%, pela Influenza B com 8,4% e pela covid-19 com apenas 2,2%. Todavia, o panorama muda drasticamente quando analisamos as amostras de sangue dos pacientes que evoluíram para o óbito. Consequentemente, a Influenza A assume a liderança e se torna responsável por 33,1% das mortes registradas no período.

O rinovírus provocou, por sua vez, 26,3% dos falecimentos, superando o VSR com 21,7%, a Influenza B com 15,4% e as complicações do Sars-CoV-2 com 6,9%. Desde o início do ano letivo e epidemiológico, o Brasil já notificou 109.347 casos de SRAG. Assim sendo, mais da metade desse montante obteve confirmação em laboratório para algum agente viral específico, enquanto 34,5% dos testes resultaram negativo e o restante ainda aguarda os laudos definitivos das equipes de saúde.

Recomendações e Conclusão sobre o Cenário Nacional

A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella ressalta que, apesar da redução geral dos índices no país, a circulação dos vírus respiratórios continua elevada em diversas regiões do território nacional. Por isso, a especialista orienta que os grupos prioritários busquem os postos de saúde para manter a vacinação contra a gripe em dia, minimizando o risco de hospitalizações. As pessoas que manifestarem qualquer sintoma gripal devem, da mesma forma, evitar contato próximo com indivíduos vulneráveis e adotar o uso contínuo de máscaras de proteção facial.

O boletim da Fiocruz demonstra, em suma, que o país obteve uma redução sustentada da doença na faixa etária de 2 a 49 anos e entre os idosos acima de 65 anos. Afinal, o leve aumento observado no grupo de 50 a 64 anos e a estabilização entre os bebês não anulam a desaceleração geral da curva epidemiológica. Logo, a manutenção das medidas preventivas básicas e a imunização em massa continuam sendo as principais ferramentas para consolidar a retração da síndrome nas próximas semanas.

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