
Combate à Fome: Brasil permanece fora do Mapa da Fome da ONU e reduz insegurança alimentar para 0,6%
O Brasil permanece fora do Mapa da Fome, segundo os dados consolidados do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2026). Dessa maneira, o mapeamento interativo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) confirmou que o país manteve a proporção de população subnutrida abaixo do limite de 2,5% no triênio 2023-2025. Nesse sentido, o resultado consolida o desempenho obtido em 2025, superando definitivamente o cenário crítico de 2020 a 2022, quando o indicador atingia 3,5% dos brasileiros.
Análise dos Indicadores e Ações Governamentais
A divulgação oficial dos dados ocorreu na sede da FAO, em Roma, durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura. Com efeito, a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Fernanda Machiaveli, destacou que a superação do problema exige a priorização de políticas públicas de combate à pobreza e o aumento real da renda dos trabalhadores. Além disso, o fundador do Instituto Fome Zero, José Graziano da Silva, enfatizou que o avanço nos índices nacionais indica que a taxa real de subalimentação atual gira em torno de 0,6% a 0,7%.
Os relatórios técnicos utilizam o indicador de Prevalência de Subnutrição para calcular a parcela da população sem acesso ao mínimo de calorias diárias. Portanto, o levantamento elaborado conjuntamente pela FAO, FIDA, OMS, PMA e Unicef apontou que a insegurança alimentar severa atingiu o menor patamar da série histórica no país, somando 1,2 milhão de pessoas. Dessa forma, o percentual de brasileiros que enfrentam privação grave de alimentos caiu para 0,6%, registrando uma trajetória contínua de declínio.
Acesso à Alimentação Saudável e Custos Diários
A prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave caiu para 9,6% no triênio 2023-2025, contemplando 20,3 milhões de pessoas. Por sua vez, os três triênios anteriores registravam marcas muito mais elevadas, que oscilavam entre 13,3% e 22,1% da população total. Consequentemente, cerca de 20,5 milhões de cidadãos recuperaram a capacidade de arcar com uma alimentação saudável e balanceada nos últimos quatro anos.
O custo médio da dieta saudável no Brasil alcançou US$ PPC 4,89 por pessoa ao dia, situando-se abaixo da média registrada na América do Sul. Assim sendo, o governo federal defendeu a ampliação dos estoques públicos e o fortalecimento da armazenagem como mecanismos indispensáveis para conter a inflação dos alimentos. Por outro lado, o relatório emitiu alertas sobre a saúde infantil no país, indicando que o excesso de peso atinge 10,9% das crianças menores de 5 anos e que a obesidade adulta já afeta 30,1% da população.
Panorama da Fome Mundial e Desafios Regionais
O levantamento global apontou que a proporção da população mundial em situação de fome diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, somando 645 milhões de pessoas em todo o planeta. Em suma, a taxa global caiu para 7,8%, impulsionada principalmente pela recuperação gradual registrada na Ásia e na América Latina. Logo, o continente africano permanece como a região mais crítica do estudo, concentrando 309 milhões de pessoas famintas em decorrência do crescimento demográfico acelerado e da instabilidade econômica local.












