
Alerta Global: IA acelera a desinformação e coloca democracias em risco, aponta pesquisa
Com o objetivo de mapear os perigos das novas tecnologias, a Agência Lupa divulgou, nesta semana, o levantamento “O impacto da IA no Fact-checking Global”. Dessa maneira, o estudo revela que as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) elevaram a desconfiança sobre conteúdos digitais a patamares históricos. Nesse sentido, o mapeamento — baseado em 1.294 checagens profissionais — destaca que a IA tem sido utilizada predominantemente para fabricar falsidades em escala industrial.
Explosão de casos e temas recorrentes
A princípio, os números impressionam pela velocidade do crescimento. Portanto, o painel indica que 81,2% dos casos de desinformação gerados por IA surgiram apenas nos últimos dois anos. Além disso, os temas mais atingidos por essa onda de mentiras automatizadas incluem:
Processos Eleitorais: Manipulação de discursos e imagens de candidatos;
Conflitos e Guerras: Criação de cenas falsas de combate;
Golpes Financeiros: Uso de vozes e rostos conhecidos para enganar investidores.
Consequentemente, a IA deixou de ser uma ameaça pontual para se tornar parte permanente do ecossistema de desinformação. De acordo com Cristina Tardáguila, fundadora da Lupa, a tecnologia dificilmente é usada para impulsionar a verdade, servindo quase sempre para confundir o eleitorado.
O desafio das eleições em 2026
No que diz respeito ao cenário político, o ano de 2026 apresenta desafios críticos para o Brasil e seus vizinhos. Dessa forma, países como Colômbia e Peru também enfrentam processos eleitorais sob a sombra das deepfakes. Vale ressaltar ainda que o volume de checagens saltou de 160 casos em 2023 para 578 em 2025. Assim sendo, o eleitor brasileiro deve se preparar para uma “enxurrada” de conteúdos manipulados durante as campanhas deste ano.
Educação midiática como “vacina”
Quanto às soluções possíveis, a pesquisa defende que a legislação por si só não basta. Para tanto, a educação midiática surge como a principal estratégia de defesa social. Nesse contexto, Cristina Tardáguila compara a informação de qualidade a uma vacina:
“Precisamos que a vacina chegue antes, para que as pessoas estejam preparadas e resilientes quando virem a mentira em formato de IA”, afirma a pesquisadora.
Dessa maneira, a literacia midiática — a habilidade de interpretar criticamente as mensagens — deveria ser implementada com urgência nas escolas como política pública. Embora as agências de checagem façam um trabalho rigoroso, o papel do cidadão comum é fundamental para interromper a cadeia de compartilhamento.
Como se proteger
Em suma, 2026 será o ano da prova de fogo para a integridade das informações digitais. Afinal, com a facilidade de replicar rostos e vozes com perfeição, a dúvida metódica torna-se uma ferramenta de sobrevivência democrática.
Por fim, para quem deseja aprender a identificar fraudes, agências como a Lupa já disponibilizam cursos gratuitos. Logo, estar ativo e capacitado para verificar fontes é o melhor caminho para garantir que a tecnologia sirva ao progresso, e não ao retrocesso institucional.












