• 19 junho, 2026

Atividade Econômica: Prévia da FGV aponta crescimento de 0,1% no PIB de abril e sinaliza resiliência

Mesmo diante de um cenário desafiador de juros elevados e choque no preço do barril de petróleo, a economia brasileira cresceu 0,1% na passagem de março para abril. Dessa maneira, na comparação direta com abril de 2025, o país registrou um avanço de 1,8%. Essas estimativas constam no Monitor do PIB, estudo mensal que o Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV divulgou na última quinta-feira (18), mostrando, portanto, a estabilidade do setor produtivo.

Resiliência Diante dos Juros e do Cenário Internacional

No trimestre móvel terminado em abril, houve um crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado, ao passo que, no acumulado de 12 meses, a expansão totalizou 2%. A pesquisa reúne dados cruciais da indústria, comércio, serviços e agropecuária com o objetivo de antecipar o comportamento oficial do Produto Interno Bruto (PIB). A economista Juliana Trece, coordenadora do levantamento, aponta que o resultado positivo na maior parte dos componentes indica, com efeito, uma forte resiliência da atividade econômica nacional.

A cautela do Banco Central na velocidade dos cortes da Taxa Selic afeta diretamente esse ritmo de expansão. Afinal, durante quase todo o mês de abril, a taxa básica permaneceu em 14,75%, caindo recentemente para 14,25%. Nesse sentido, essa postura rígida reflete as incertezas externas, visto que a guerra no Irã inflacionou o barril de petróleo no mercado mundial. O governo brasileiro adotou, por outro lado, medidas de contenção como o corte de tributos e subsídios aos combustíveis para amortecer esses impactos logísticos.

Desempenho dos Setores e dos Investimentos

No que diz respeito aos componentes internos do PIB, o consumo das famílias surpreendeu ao crescer 2,6% no trimestre móvel, atingindo, consequentemente, o maior patamar de alta desde o início de 2025. As exportações também avançaram significativamente e registraram uma alta de 9,3%. Dessa forma, cerca de 60% desse desempenho decorre das vendas externas da indústria extrativa, que dispararam 27,8% no período analisado.

  • Retorno dos Investimentos: A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede a compra de máquinas e equipamentos, teve expansão de 0,7%.

  • Reversão de Tendência: Esse resultado positivo representa, por exemplo, a primeira alta do indicador após recuos em quatro trimestres móveis consecutivos.

  • Valores Monetários: Em termos financeiros, a FGV estima o PIB acumulado do ano até abril em R$ 4,376 trilhões correntes, mantendo a taxa de investimento em 18%.

Termômetros da Economia e o Dado Oficial

O Monitor do PIB funciona como um importante termômetro econômico, assim como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), o qual indicou expansão de 0,5% na passagem mensal. Contudo, o resultado oficial e definitivo cabe exclusivamente ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como a economia cresceu 1,1% no primeiro trimestre, a expectativa do mercado concentra-se, logo, na próxima divulgação do IBGE agendada para 1º de setembro.

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