• 12 julho, 2026

Economia: Preço dos alimentos recua e inflação oficial de junho fecha em 0,16%

Os preços dos alimentos registraram a primeira queda desde novembro do ano passado e ajudaram a inflação oficial do país a fechar o mês de junho em 0,16%. Dessa maneira, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atingiu o menor patamar mensal registrado desde outubro de 2025. Nesse sentido, os dados consolidados mostram que a inflação perdeu força pelo quarto mês consecutivo, desacelerando significativamente em relação aos 0,58% apurados no mês de maio.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os indicadores macroeconômicos nesta sexta-feira (10). No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA soma uma variação de 4,64%, situando-se, portanto, ligeiramente acima do teto da meta do governo, que atinge 4,5%. Dessa forma, o índice atual exibe uma trajetória de melhora quando comparado ao acumulado até maio, momento em que a taxa rodava em 4,72%. O indicador do mês passado veio, além disso, abaixo da estimativa dos analistas do mercado financeiro, visto que o Relatório Focus projetava uma taxa de 0,32% para o período.

Comportamento do IPCA ao Longo do Primeiro Semestre de 2026

O primeiro semestre do ano encerrou com uma inflação acumulada de 3,36% no bolso dos consumidores. Com efeito, a trajetória do índice oficial demonstrou uma desaceleração gradativa mês a mês, conforme indicam os registros anteriores de 0,33% em janeiro, 0,70% em fevereiro, 0,88% em março, 0,67% em abril e 0,58% em maio, culminando na deflação parcial de junho.

Alimentos Puxam o Índice para Baixo e Trazem Alívio ao Consumidor

Dos nove grupos de produtos e serviços que o IBGE pesquisa mensalmente, o setor de alimentação e bebidas representou a maior pressão de baixa. Consequentemente, a alimentação no domicílio ficou em média 0,39% mais barata para as famílias, quebrando uma sequência de altas que vinha desde o final do ano passado. Já o segmento de alimentação fora do domicílio seguiu uma rota oposta, avançando 0,15% no mesmo período.

A maior oferta de produtos hortifrutigranjeiros no campo impulsionou, por exemplo, o recuo expressivo nos preços de itens essenciais na mesa dos brasileiros. Assim sendo, o café moído encolheu 3,72%, as frutas recuaram 1,58%, as carnes registraram queda de 0,64% e o óleo de soja diminuiu 2,78%. Da mesma forma, a emulsão de açaí desabou 14,41% e o tomate anotou uma redução de 2,02%, representando, em suma, uma devolução das altas fortes observadas nos meses anteriores.

Setor de Habitação e Transportes Apresentam Pressões Opostas

O grupo habitação exerceu, por outro lado, o maior impacto de alta na inflação de junho ao avançar 0,63% no mês. O principal vilão do orçamento doméstico foi o custo da energia elétrica residencial, que subiu 1,53% devido à manutenção da bandeira tarifária amarela. Vale ressaltar ainda que esse mecanismo adiciona uma cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos, somando-se aos reajustes locais aplicados em capitais como Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

O setor de transportes também registrou uma variação positiva de 0,17%, impulsionado pelo salto de 7,12% nos preços das passagens aéreas. Os combustíveis tradicionais funcionaram, todavia, como um amortecedor para o bolso dos motoristas ao recuarem 0,48% em média. Nesse contexto, o preço do etanol caiu 3,09%, o óleo diesel reduziu 1,19%, o gás veicular diminuiu 0,19% e a gasolina anotou uma leve retração de 0,12%.

Espalhamento da Inflação e Nova Metodologia do Banco Central

O índice de difusão, que mede o percentual de produtos com aumento de preço, recuou para 54% em junho, indicando que a inflação está menos espalhada pela economia. O grupo de serviços, que sofre mais influência direta da taxa básica de juros, subiu 0,34%, enquanto os preços monitorados por contratos variaram 0,29%.

O Banco Central utiliza o IPCA como o termômetro oficial para calibrar a política monetária e monitorar o cumprimento das metas econômicas. A meta atual estipulada pelo Conselho Monetário Nacional fixa um objetivo de 3%, permitindo uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Logo, o intervalo de conformidade varia entre 1,5% e 4,5%. A autoridade monetária considera a meta oficialmente descumprida se o índice estourar esse teto regulamentar por seis meses seguidos, apurando o custo de vida nas principais regiões metropolitanas do país, incluindo a capital Campo Grande.

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