
Educação e Tecnologia: Impacto das telas na saúde mental já é debatido em 80% das escolas brasileiras
O debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes passou a integrar formalmente a rotina de oito em cada dez escolas brasileiras. Dessa maneira, a proporção de instituições de ensino fundamental e médio que abordaram a temática cresceu 18 pontos percentuais no último ano, saltando de 62% para 80%. Nesse sentido, os dados oficiais constam na pesquisa TIC Educação, divulgada nesta terça-feira (4) pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Integração Comunitária e Principais Obstáculos nas Instituições
A pesquisa revelou que o diálogo sobre os efeitos do ambiente virtual avançou significativamente entre gestores, educadores e responsáveis. Com efeito, 75% dos diretores organizaram reuniões com os pais para tratar da mediação digital, ao passo que 86% alinharam estratégias diretamente com o corpo docente. Portanto, temas cruciais como o uso seguro das redes e a introdução da educação midiática ganharam prioridade nas pautas pedagógicas de todo o país.
As ações preventivas enfrentam, além disso, desafios estruturais decorrentes das desigualdades regionais. Consequentemente, a realização dessas atividades é mais frequente em áreas urbanas e em escolas que oferecem computadores conectados para o aprendizado. A coordenadora do estudo, Daniela Costa, avalia que a falta de suporte técnico e a baixa adesão das famílias continuam dificultando o progresso homogêneo da educação digital.
Em contrapartida, os responsáveis procuraram as equipes pedagógicas em 49% das escolas para solicitar orientação sobre os hábitos dos filhos. Dessa forma, quase metade das instituições respondeu com palestras de especialistas e com a distribuição de manuais sobre saúde mental na infância e na adolescência.
Restrição do Uso de Celulares e a Chegada da Inteligência Artificial
A regulamentação do uso de smartphones tornou-se uma norma estrita nas redes de ensino. Por sua vez, 51% dos gestores afirmaram que proíbem categoricamente a entrada de celulares pessoais no ambiente escolar, número que chega a 69% nas turmas dos anos iniciais. Nas instituições onde o aparelho é permitido, por outro lado, o uso pedagógico dos dispositivos ocorre com maior frequência em regiões com maior carência de computadores, como no Norte, no Nordeste e nas zonas rurais.
O levantamento mapeou também a entrada recente das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) no cotidiano escolar. Assim sendo, 53% dos gestores já empregam IA na elaboração de comunicados, no resumo de documentos ou na gestão financeira. Contudo, apenas 22% das escolas contam com diretrizes ou guias formais para orientar alunos e professores sobre a utilização ética e segura desses sistemas.
Em suma, a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, reforça que a construção de uma cidadania digital exige regulação adequada e apoio contínuo do Estado. Logo, a atuação conjunta entre a escola, as famílias e o poder público permanece indispensável para proteger crianças e jovens contra os riscos da hiperconexão.












