• 16 março, 2026

Judocas brasileiras superam preconceito e inspiram novas gerações no esporte

As judocas brasileiras Rafaela Silva e Jéssica Pereira participaram de um debate sobre equidade de gênero, superação e trajetória no esporte de alto rendimento. O encontro ocorreu na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no centro do Rio de Janeiro.

O evento integrou as atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, celebrando conquistas femininas e discutindo desafios enfrentados pelas mulheres no esporte e na sociedade.

Durante a conversa, as atletas compartilharam experiências sobre carreira, dificuldades para permanecer no alto rendimento e preconceitos sociais e de gênero enfrentados ao longo da trajetória.

Histórias que inspiram novas gerações

Para Rafaela Silva, a visibilidade conquistada no esporte também traz uma responsabilidade importante: inspirar jovens atletas.

“Quando eu comecei a participar desses eventos, percebi que não podia parar. Através da minha história, da minha conquista e da medalha, estou inspirando outras gerações.”

Além disso, Rafaela destacou que muitas crianças passam a enxergar o esporte como uma possibilidade de transformação social.

Atualmente, o judô é o esporte que mais rendeu medalhas olímpicas ao Brasil. Ao todo, são 28 pódios conquistados em Jogos Olímpicos.

Entre as cinco medalhas de ouro brasileiras na modalidade, três foram conquistadas por mulheres:

  • Sarah Menezes – Londres 2012

  • Rafaela Silva – Rio 2016

  • Beatriz Souza – Paris 2024

A mediação do encontro foi realizada por Camila Dantas, representante da Confederação Brasileira de Judô.

Início no esporte e desafios da infância

Rafaela Silva contou que iniciou no judô aos 5 anos de idade, por meio de um projeto social próximo à sua casa, na comunidade da Cidade de Deus, no Rio de Janeiro.

Antes disso, ela tentou participar de aulas de futebol. No entanto, por ser a única menina na turma, não se sentiu acolhida.

Por outro lado, no judô encontrou um ambiente diferente.

Segundo a atleta, o esporte permitia que meninos e meninas treinassem juntos, o que facilitou sua adaptação e motivação para continuar.

Da mesma forma, Jéssica Pereira iniciou sua trajetória ainda criança. Aos 7 anos, ela entrou no judô por incentivo da mãe, que buscava manter os filhos ocupados e afastados da violência.

A atleta cresceu na região da Ilha do Governador, próxima ao Morro do Dendê.

Hoje, Jéssica acumula importantes conquistas na carreira, incluindo três títulos pan-americanos e sete campeonatos brasileiros.

Reconhecimento e inspiração para jovens atletas

Para Jéssica Pereira, um dos momentos mais gratificantes da carreira ocorre quando jovens atletas demonstram inspiração pelo trabalho das judocas.

“Quando recebo mensagens dizendo que sou inspiração ou quando uma criança fala que começou no judô depois de me ver lutar, isso é muito gratificante.”

Segundo ela, essas experiências mostram que o esporte possui um papel importante na formação da juventude.

Preconceitos enfrentados pelas mulheres no esporte

Apesar das conquistas, as atletas também relataram episódios de preconceito ao longo da carreira.

Rafaela Silva lembrou que, no início da sua trajetória na seleção brasileira, em 2008, as mulheres não tinham acesso aos mesmos treinamentos internacionais que os homens.

Na época, por exemplo, os treinos realizados no Japão — país onde o judô surgiu — eram exclusivos para atletas masculinos.

Com o tempo, porém, esse cenário começou a mudar.

“O judô feminino é igual ao masculino. A gente luta o mesmo tempo, recebe a mesma premiação e tem as mesmas oportunidades, mas ainda existe essa visão de que é diferente.”

Além disso, Rafaela recorda que o preconceito também aparecia dentro da própria família.

“Algumas pessoas diziam que judô era coisa de homem. Depois que começaram a entender nossa história dentro da modalidade, essa visão mudou.”

Conquistas históricas do judô feminino

Mesmo diante desses desafios, o judô feminino brasileiro conquistou importantes resultados ao longo dos anos.

Um dos maiores exemplos é a trajetória de Mayra Aguiar.

A atleta tornou-se a maior medalhista brasileira da modalidade, com três medalhas olímpicas de bronze.

Além disso, ela foi a primeira mulher brasileira a conquistar três medalhas olímpicas em esportes individuais, feito que hoje divide com a ginasta Rebeca Andrade.

Avanços na igualdade dentro do judô

Nos últimos anos, a Federação Internacional de Judô tem promovido mudanças importantes para ampliar a participação feminina.

Um exemplo foi a criação da competição por equipes mistas no Campeonato Mundial de 2017, que reúne homens e mulheres na mesma disputa.

Antes disso, as competições por equipes eram separadas por gênero.

A mudança incentivou países tradicionais no esporte — como Geórgia, Azerbaijão e Uzbequistão — a investirem mais na formação de atletas mulheres.

Olhar voltado para as próximas Olimpíadas

De olho nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, Rafaela Silva já percebe um aumento significativo da presença feminina nas competições internacionais.

Além disso, aos 33 anos, a atleta afirma que ainda não pensa em se aposentar.

Ao contrário, ela pretende continuar competindo e contribuindo para o crescimento do judô feminino no Brasil.

Assim, as histórias de superação das judocas brasileiras seguem inspirando novas gerações e reforçando o papel do esporte como ferramenta de transformação social.

Agência Brasil.

Frase-Chave: Judô feminino no Brasil.

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