
Mapa Autismo Brasil: Pesquisa inédita revela que apenas 15,5% dos autistas acessam terapias pelo SUS
Com o objetivo de traçar o primeiro perfil sociodemográfico nacional sobre o transtorno no país, o Instituto Autismos divulgou, nesta quinta-feira (9), o estudo Mapa Autismo Brasil (MAB). Dessa maneira, os dados revelam um cenário preocupante: o acesso ao diagnóstico e às terapias essenciais permanece extremamente limitado para a maioria da população. Nesse sentido, o levantamento destaca que, embora o Brasil possua 2,4 milhões de pessoas com TEA, as políticas públicas ainda não suprem a demanda real por cuidado e inclusão.
Barreiras no diagnóstico e dependência da rede privada
A princípio, o estudo aponta que a descoberta do autismo no Brasil ainda enfrenta obstáculos geográficos e econômicos. Atualmente, mais de 55% dos diagnósticos ocorrem na rede particular, enquanto o SUS responde por apenas 20,4% das confirmações. Além disso, a pesquisa identifica um atraso significativo na identificação dos sinais. Portanto, embora a mediana de diagnóstico seja de 4 anos, a média sobe para 11 anos devido a muitos casos descobertos apenas na vida adulta.
No que diz respeito aos primeiros alertas, a família exerce um papel protagonista. De acordo com os dados:
Familiares próximos percebem os sinais em 55,9% dos casos;
A própria pessoa nota as características em 11,4% das vezes;
Médicos e professores alertam apenas em 7,3% e 9,4% das situações, respectivamente.
O gargalo das terapias e a carga horária insuficiente
Quanto ao tratamento, a desigualdade entre a rede pública e a privada torna-se ainda mais evidente. Nesse contexto, apenas 15,5% dos entrevistados realizam terapias pelo SUS, ao passo que mais de 60% dependem de planos de saúde ou pagamentos particulares. Consequentemente, o custo financeiro para as famílias é alto, com gastos que podem ultrapassar R$ 5 mil mensais em casos de maior suporte.
Outro ponto crítico destacado pelo Instituto Autismos refere-se à carga horária das intervenções. Isso porque 56,5% dos pacientes realizam apenas até duas horas semanais de terapia. Assim sendo, o volume de atendimento destoa das recomendações internacionais, que preconizam terapias multidisciplinares intensivas para garantir o desenvolvimento do indivíduo.
Desafios na educação e o impacto sobre os cuidadores
No âmbito educacional, a pesquisa revela que a presença na escola nem sempre se traduz em inclusão efetiva. Dessa forma, embora 83,7% frequentem instituições de ensino, cerca de 40% dos alunos não recebem nenhum tipo de apoio especializado ou adaptação pedagógica. Por outro lado, o impacto social estende-se aos cuidadores — em sua grande maioria mães (92,4%). Devido à intensa demanda de cuidado, mais de 30% dessas mulheres declararam estar fora do mercado de trabalho ou sem renda própria.
Perfil e inclusão no mercado de trabalho
Por fim, o Mapa Autismo Brasil traça um perfil detalhado: a maioria dos autistas identificados são homens (65,3%) e brancos (60,8%). Vale ressaltar ainda que, na vida adulta, o desemprego atinge quase 30% da população autista, evidenciando uma barreira estrutural para a autonomia.
Em suma, os resultados do MAB funcionam como um alerta para gestores públicos. Afinal, para que a lei seja cumprida, o Brasil precisa expandir urgentemente a rede de especialistas e garantir que o tratamento chegue, de fato, a quem mais precisa.












