• 01 julho, 2026

Mercado de Combustíveis: Alívio em conflito internacional faz Petrobras reduzir preço do querosene de aviação em 14,5%

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras. Dessa maneira, a variação estipulada para o mês de julho marca o segundo recuo consecutivo no valor do insumo, o qual sofre reajustes automáticos sempre no início de cada mês. Nesse sentido, a mudança representa uma diminuição real de R$ 0,81 por litro, fazendo com que o preço final nas refinarias da companhia passe a oscilar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.

Atenuação da Crise no Oriente Médio e Impacto nas Commodities

A estatal explicou que o movimento de baixa no mercado nacional ocorreu devido à atenuação dos efeitos severos que o conflito no Oriente Médio impôs ao preço internacional dos derivados do petróleo. No acumulado do ano, todavia, o combustível utilizado por aviões e helicópteros ainda acumula uma alta expressiva de 40,5% na comparação com o fechamento do ano passado. Portanto, esse cenário macroeconômico ainda representa um acréscimo de R$ 1,39 por litro no bolso dos operadores.

A eclosão da guerra envolvendo os Estados Unidos e Israel contra o Irã perturbou profundamente a cadeia logística da indústria petrolífera. Esse conflito geopolítico provocou, consequentemente, uma disparada global de preços devido ao bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz. Como a região escoava cerca de 20% da produção internacional de óleo e gás, a retração na oferta elevou as cotações. O Brasil sofre reflexos diretos desse movimento, com efeito, porque o mercado define os preços de derivados como commodities internacionais, mesmo o país figurando como um grande produtor de petróleo.

Histórico dos Últimos Meses e Retirada de Subsídios

A Petrobras havia reajustado o QAV em patamares alarmantes de 55% em abril e mais 18% em maio. Naquela oportunidade, por exemplo, a estatal permitiu o parcelamento dos valores para suavizar o impacto financeiro imediato no caixa das companhias aéreas. A empresa iniciou a virada na curva de preços em junho ao registrar uma queda de 14,2%, consolidando, além disso, o alívio atual com o novo anúncio de recuo.

O recuo nas tensões internacionais motivou, por sua vez, o governo federal a iniciar o processo de retirada gradual dos subsídios temporários direcionados às empresas produtoras e importadoras de combustíveis. O Ministério da Fazenda desenhou essa subvenção como uma blindagem temporária para impedir um choque inflacionário no consumidor final. Assim sendo, a normalização do mercado internacional permite que a União desonere o orçamento público à medida que os preços recuam organicamente.

Estrutura da Cadeia de Comércio

A Petrobras comercializa para as distribuidoras o QAV que suas próprias refinarias produzem ou que a companhia importa do exterior. Logo após a compra, as distribuidoras transportam o produto e o revendem para companhias de aviação nos aeroportos do país. A estatal detém, em suma, uma participação de cerca de 85% do mercado de produção de QAV. Logo, embora a empresa lidere o setor, o mercado permanece aberto à livre concorrência, sem barreiras legais para que outras marcas atuem na importação.

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