
Protagonismo: Histórias indígenas ocupam espaços de poder e inspiram novas gerações em MS
Com o objetivo de celebrar o Dia dos Povos Indígenas, a Secretaria de Estado da Cidadania promoveu um painel histórico intitulado “Indígenas que inspiram”. Dessa maneira, histórias que antes ficavam restritas aos territórios ganharam voz e visibilidade em áreas como Educação, Saúde, Agronegócio e Justiça. Nesse sentido, o evento demonstrou que a trajetória desses profissionais não fala apenas de resistência, mas também de uma ocupação estratégica de espaços que, historicamente, lhes foram negados.
Educação como Ferramenta de Ocupação
A princípio, a trajetória do educador Flaviano Franco revela como o estudo pode ser um divisor de águas. Portanto, criado pelos avós em um contexto de limitações, ele trabalhou como pedreiro e cortador de cana antes de consolidar sua carreira acadêmica. Dessa forma, Flaviano compreendeu que a formação técnica era o caminho para enfrentar o preconceito e reconstruir narrativas sobre seu povo.
Vale ressaltar ainda que sua atuação hoje foca em “ensinar o sistema”. Consequentemente, como pesquisador e liderança, ele defende que, se os indígenas não ocuparem as universidades e os centros de pesquisa, outros continuarão falando por eles. Assim sendo, a educação indígena é trabalhada por ele não apenas como transmissão de conteúdo, mas como um espaço vital para preservar saberes e valores ancestrais.
Superação na Saúde e Conhecimento no Campo
No que diz respeito à área da saúde, a médica Laysa Moreira Dorneles, do povo Terena, personifica a persistência. Dessa maneira, desde a infância, ela precisou conciliar o trabalho como babá e vendedora com os estudos para ajudar a família. Nesse contexto, durante a graduação em Medicina, os desafios financeiros e o cansaço foram constantes, mas não suficientes para impedi-la de conquistar o diploma. Logo, ao atuar hoje como médica, Laysa rompe estereótipos e reafirma que o pertencimento cultural é um alicerce, e não uma barreira.
Além disso, no agronegócio, a engenheira agrônoma Tainara Terena une a técnica universitária aos saberes tradicionais. Assim, com 14 anos de experiência, ela orienta produtores indígenas sobre práticas sustentáveis e agricultura orgânica. Por conseguinte, mesmo enfrentando as dificuldades das mudanças climáticas, Tainara trabalha para provar que a inovação no campo pode caminhar de mãos dadas com a identidade étnica.
Justiça e a Quebra de Muros Invisíveis
Quanto ao campo jurídico, o promotor Fernando Júnior, da aldeia Jaguapiru, superou “muros invisíveis” para chegar ao Ministério Público. Dessa maneira, sua aprovação em um dos concursos mais concorridos do país o levou ao Pará, onde exerce a promotoria de Justiça. Portanto, sua presença nas instituições não é apenas uma vitória individual, mas um movimento que tensiona e transforma o ambiente judiciário brasileiro.
Em suma, Fernando acredita que sua responsabilidade agora é multiplicar caminhos para que outros também cheguem ao topo. Afinal, quando um indígena ocupa um cargo de destaque, ele carrega consigo toda a sua comunidade. Logo, a trajetória desses quatro convidados prova que, em Mato Grosso do Sul, o protagonismo indígena é uma realidade que está apenas começando a florescer nos espaços de decisão.
Destaques do Painel:
Educação: Ocupação de espaços para evitar que terceiros falem pelos povos originários.
Saúde: Quebra de estereótipos sobre a aparência e a capacidade profissional indígena.
Agronegócio: Fomento à agricultura familiar orgânica com respeito aos ciclos da natureza.
Justiça: Presença institucional como forma de transformar o sistema por dentro.












