• 18 março, 2026

Tesouro realiza maior intervenção em títulos públicos em mais de uma década

O Tesouro Nacional do Brasil realizou, nesta terça-feira (17), novas recompras de títulos públicos. A medida, portanto, busca conter a escalada dos juros futuros diante do aumento das incertezas tanto no cenário internacional quanto no ambiente doméstico.

Com isso, somadas as operações mais recentes, a atuação do Tesouro atingiu R$ 43,6 bilhões em apenas dois dias. Dessa forma, o movimento se consolida como a maior intervenção no mercado em mais de uma década.

Volume supera crises recentes

Além disso, o montante atual supera, em termos nominais, as ações realizadas durante a pandemia de COVID-19. Na ocasião, por exemplo, o Tesouro recomprou R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.

Da mesma forma, a magnitude das operações também ultrapassa episódios anteriores de estresse econômico, como:

  • as manifestações de 2013

  • a greve dos caminhoneiros de 2018

Portanto, o nível de intervenção atual evidencia a intensidade das pressões sobre o mercado financeiro.

Operações ocorrem ao longo do dia

Ao longo desta terça-feira, o Tesouro executou novas recompras em diferentes momentos. Pela manhã, por exemplo, recomprou R$ 9,05 bilhões em títulos prefixados.

Em seguida, no período da tarde, realizou operações com papéis atrelados à inflação, que movimentaram R$ 7,07 bilhões.

Além disso, vale destacar que, na véspera, o volume já havia alcançado R$ 27,5 bilhões. Ou seja, a atuação ocorre de forma contínua e estratégica.

Objetivo é conter volatilidade dos juros

De modo geral, as recompras têm como principal objetivo reduzir a volatilidade na curva de juros. Essa curva, por sua vez, funciona como referência para as expectativas em relação à Taxa Selic.

Nos últimos dias, entretanto, as taxas subiram de forma relevante. Esse movimento, por outro lado, foi impulsionado por fatores externos e internos.

Entre os fatores internacionais, destacam-se:

  • o agravamento do conflito no Irã

  • a alta nos preços do petróleo

Consequentemente, esses elementos elevam o risco inflacionário e pressionam os juros.

Incertezas internas também pesam

Ao mesmo tempo, o cenário doméstico também contribui para a instabilidade. Nesse sentido, a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros aumenta a percepção de risco.

Assim, o mercado reage não apenas a fatores globais, mas também a incertezas internas, o que amplia a volatilidade.

Semana é decisiva para política monetária

Além disso, a intervenção ocorre em um momento sensível: a semana da decisão do Comitê de Política Monetária.

Tradicionalmente, o Tesouro evita atuar nesse período. No entanto, diante do cenário atual, optou por agir de forma mais direta.

Isso acontece porque a curva de juros futuros serve como um dos principais indicadores para as decisões do Banco Central do Brasil.

De acordo com o boletim Focus, há divisão entre os analistas:

  • a maioria projeta corte de 0,25 ponto percentual

  • parte do mercado ainda aposta em redução maior

Entretanto, antes do agravamento do cenário internacional, a expectativa predominante era de corte de 0,5 ponto.

Estratégia busca antecipar riscos maiores

Diante desse contexto, especialistas avaliam que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva. O objetivo, portanto, é evitar disfunções mais severas no mercado no curto prazo.

Em comparação, em dezembro de 2024, a reação foi mais lenta, mesmo diante de turbulências políticas e fiscais.

Agora, por outro lado, o Tesouro atua de forma preventiva.

Ainda assim, a continuidade das intervenções permanece incerta. Isso porque a decisão dependerá diretamente das condições de mercado nos próximos dias.

Mercado segue pressionado

Apesar das ações, o mercado financeiro manteve pressão ao longo do dia. No fim do pregão, por exemplo, os juros para janeiro de 2027 subiram para 14,13% ao ano.

Além disso:

  • os vencimentos mais longos ficaram estáveis

  • o dólar reduziu o ritmo de queda

  • a bolsa diminuiu a alta

Consequentemente, o cenário ainda inspira cautela.

Cenário exige atenção contínua

Por fim, o movimento do Tesouro evidencia um momento de maior tensão no mercado financeiro. Ao mesmo tempo, mostra a disposição do governo em agir rapidamente para conter oscilações.

Assim, nas próximas semanas, o comportamento dos juros, da inflação e do cenário internacional será determinante para novas decisões.

Agência Brasil.

Frase-Chave: Tensão no mercado financeiro.

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