
Sorgo avança na safrinha de MS e se consolida como aposta estratégica com demanda das usinas de etanol
Mato Grosso do Sul, atualmente, vive uma transformação relevante na segunda safra. Inicialmente visto como alternativa emergencial, o sorgo passou, gradualmente, a integrar o planejamento econômico do produtor rural. Em síntese, em cinco safras, a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para quase 400 mil hectares, principalmente impulsionada pela demanda das usinas de etanol de milho instaladas no Estado.
Os dados são do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta do Governo do Estado gerida pela Semadesc em parceria com a Aprosoja.
Crescimento acelerado e mudança de estratégia
De acordo com o secretário Jaime Verruck, o avanço do sorgo “não é casual, é estratégia”. Nesse sentido, a leitura dos dados indica que o mercado estruturado, sobretudo com contratos firmados pelas usinas, foi decisivo para a expansão da cultura.
Área cultivada: de ~5 mil ha no início dos anos 2020 para ~400 mil ha em 2024/2025
Crescimento: superior a 7.700% em cinco safras
Portanto, o motor do avanço foi a demanda industrial das usinas de etanol de milho
Os números do SIGA também convergem com levantamentos da Conab e do IBGE. Contudo, o SIGA se destaca por detalhar com precisão a velocidade e a distribuição territorial do crescimento no Estado.
A virada a partir da safra 2021/2022
A partir de então, a expansão ganha escala na safra 2021/2022, quando o sorgo passa a ocupar áreas maiores. Em seguida, após ajustes naturais, a cultura retoma o avanço e, finalmente, cresce com força em 2024/2025, praticamente dobrando de tamanho.
Para Verruck, assim, o comportamento confirma que o sorgo deixou de ser solução pontual e passou a integrar a safrinha, especialmente em áreas com:
Janela curta após a soja
Maior risco climático
Consequentemente, necessidade de reduzir perdas produtivas e financeiras
Demanda das usinas garante previsibilidade
Além disso, a consolidação das usinas de etanol de milho foi determinante. Antes, a expansão era limitada pela falta de demanda estruturada. Entretanto, o cenário mudou com contratos de compra, previsibilidade e escala.
“Quando o mercado passou a dar sustentação à cultura, a área plantada avançou de forma contínua”, afirma Verruck.
Onde o sorgo mais cresce em MS
Conforme o SIGA, na safra mais recente, cerca de metade da área de sorgo de segunda safra concentrou-se em dez municípios. Em destaque, aparecem Ponta Porã e Maracaju, seguido por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia.
Desse modo, o desenho territorial mostra que o sorgo avança onde o milho enfrenta limitações climáticas ou de janela, funcionando, por consequência, como instrumento de gestão de risco.
Resiliência e viabilidade econômica
Na avaliação do secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, o SIGA evidencia que o sorgo se firmou, ao longo do tempo, como alternativa viável para a segunda safra.
“Por ser mais resistente às intempéries climáticas e a problemas sanitários, o sorgo se encaixa melhor em áreas marginais”, explica.
Com isso, a entrada das usinas de álcool de cereais alterou a lógica do plantio. Hoje, com mercado garantido, contratos e estrutura de armazenagem, entraves históricos foram superados, logo, oferecendo segurança ao produtor para investir.
Cenário nacional reforça protagonismo
No âmbito nacional, as projeções indicam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores, segundo a Conab (dezembro/2025).
Em conclusão, para Verruck, o caso do sorgo em MS comprova que quando há mercado, contratos e visão de longo prazo, a produtividade cresce, assim como o risco diminui e o desenvolvimento se consolida. Por fim, as usinas de etanol de milho cumprem papel estratégico ao integrar produção agrícola, bioenergia e sustentabilidade, fortalecendo cadeias locais e ampliando o uso eficiente do solo.












