• 08 fevereiro, 2026

MS inicia aplicação de imunizante contra bronquiolite em bebês prematuros e crianças com comorbidades

Desde segunda-feira (2), Mato Grosso do Sul iniciou a aplicação do imunizante contra o VSR (vírus sincicial respiratório), principal causador da bronquiolite, em bebês prematuros atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Com isso, o Estado passa a oferecer proteção direta aos recém-nascidos mais vulneráveis, por meio de uma estratégia coordenada pela SES (Secretaria de Estado de Saúde).

As primeiras doses foram aplicadas na Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande. Assim, o início da campanha marca um avanço na atenção neonatal e no fortalecimento da rede pública de saúde.

Quem pode receber o imunizante

Atualmente, o imunizante utilizado é o nirsevimabe, um anticorpo monoclonal indicado para bebês nascidos com até 36 semanas e 6 dias de gestação. Além disso, crianças com comorbidades — como cardiopatias congênitas, síndrome de Down e fibrose cística — também podem receber a proteção, inclusive até os 24 meses de idade.

De acordo com os critérios do Ministério da Saúde, a indicação busca reduzir infecções graves causadas pelo vírus sincicial respiratório, como bronquiolite e pneumonia.

Esquema de aplicação e objetivo da estratégia

No caso dos bebês prematuros, a proteção ocorre com dose única. Já para crianças com comorbidades, o esquema prevê duas doses, aplicadas em períodos sazonais distintos. Dessa forma, a estratégia atua diretamente na redução das internações hospitalares durante os meses de maior circulação do vírus.

Consequentemente, a medida contribui para aliviar a pressão sobre leitos pediátricos e UTIs neonatais.

Ampliação do acesso pelo SUS

Com a incorporação do imunizante à Rede de Imunobiológicos Especiais do SUS, o acesso passa a ser contínuo e gratuito. Segundo a técnica da Coordenação Estadual de Imunização da SES, Maristela Chamorro, a medida representa um avanço histórico.

“O nirsevimabe chega em um momento oportuno. A partir de agora, bebês prematuros e crianças com comorbidades terão acesso garantido à proteção, conforme os critérios do Ministério da Saúde”, destaca.

Antes disso, a SES realizou um levantamento técnico sobre nascimentos prematuros e capacidade das maternidades, assegurando a distribuição proporcional das doses.

Distribuição nos municípios

Nos demais municípios, o acesso ao imunizante ocorre por meio do Sistema E-Crie, plataforma digital da SES que organiza a solicitação e a distribuição de imunobiológicos especiais para os 79 municípios do Estado.

Além do mais, o Ministério da Saúde autorizou o resgate vacinal para crianças nascidas a partir de agosto de 2025, desde que atendam aos critérios vigentes.

Aplicação nas maternidades

Na prática, na Maternidade Cândido Mariano, a aplicação do imunizante ocorre semanalmente. Segundo a coordenadora de imunização, Keila Lacerda, o procedimento acontece às quintas-feiras, nas unidades intermediárias e UTIs neonatais.

“Esse imunizante representa uma grande conquista. Anteriormente, ele estava disponível apenas na rede privada”, explica.

Diante disso, a expectativa é reduzir significativamente as internações por bronquiolite, especialmente após os surtos registrados nos últimos anos.

Proteção complementar ao cuidado materno

De forma complementar, a Diretora Técnica da Maternidade Cândido Mariano, Karina Zucarelli, explica que a estratégia amplia a proteção já iniciada durante a gestação.

“A vacina aplicada na gestante, a partir da 28ª semana, protege o bebê ainda no útero. Enquanto isso, o nirsevimabe garante proteção direta ao recém-nascido”, ressalta.

Assim, a combinação das duas estratégias fortalece a resposta ao vírus nos primeiros meses de vida.

Impacto para as famílias

Entre os beneficiados, está a bebê Melina, que nasceu com 32 semanas e permaneceu 43 dias internada na UTI Neonatal. Segundo a mãe, Paula Rodrigues, a imunização traz segurança.

“Saber que minha filha está protegida traz tranquilidade para toda a família”, afirma. Além disso, Paula destaca o impacto social da oferta gratuita. “É um imunizante caro. Pelo SUS, faz toda a diferença.”

Atualmente, na rede privada, o custo do imunizante pode variar entre R$ 1.500 e R$ 3.500.

Como acessar o imunizante

Em Campo Grande, o acesso ocorre mediante contato prévio pelo telefone (67) 99875-3662, junto à Sesau, para orientações e agendamento. Depois disso, as famílias são encaminhadas às Unidades Básicas de Saúde dos bairros Alves Pereira, Marabá, Jardim Presidente e Cristo Redentor.

Já as maternidades Santa Casa, Hospital Universitário, Hospital Regional e Cândido Mariano realizam a aplicação exclusivamente em bebês internados.

No interior do Estado, as famílias devem procurar a Unidade Básica de Saúde do próprio município para receber as orientações necessárias.

Veja outras notícias

Acompanhe no instagram