• 06 março, 2026

Estudo aponta necessidade de políticas públicas para reduzir impactos da menopausa

Um estudo divulgado nesta semana pelo Instituto Esfera, em Brasília, aponta a necessidade de políticas públicas específicas para reduzir os impactos da menopausa na vida das mulheres. Além disso, a pesquisa chama atenção para a situação de mulheres negras e em condições de vulnerabilidade social, que enfrentam efeitos ainda mais intensos nesse período.

Segundo a pesquisadora Clarita Costa Maia, uma das responsáveis pelo levantamento, as mulheres que vivem em contextos sociais mais frágeis costumam sofrer impactos maiores na saúde e no trabalho. Assim, o estudo evidencia que fatores biológicos e sociais se combinam nesse processo.

“O que constatamos é que a menopausa tem um componente biológico que afeta mais as mulheres negras. Além disso, ocorre um cruzamento de vulnerabilidades que amplia os efeitos desse período”, explicou a pesquisadora.

Impactos também atingem o mercado de trabalho

De acordo com a análise do estudo, essa vulnerabilidade também se reflete no ambiente profissional. Em muitos casos, as mulheres nessa fase ocupam o papel de principais responsáveis pelo sustento da família. Consequentemente, quando enfrentam sintomas intensos da menopausa, podem encontrar mais dificuldades para manter estabilidade no trabalho.

Entre os sintomas mais comuns estão alterações físicas e psicológicas. Por isso, quando não recebem tratamento adequado, esses fatores podem comprometer a continuidade da vida profissional. Dessa forma, o impacto ultrapassa a esfera individual e alcança todo o núcleo familiar.

Saúde mental também exige atenção

Outro ponto destacado pela pesquisa envolve os efeitos da menopausa sobre a saúde mental. Segundo os especialistas, sintomas não tratados podem aumentar o risco de doenças e transtornos emocionais.

A pesquisadora afirma que, por exemplo, cresce a probabilidade de desenvolvimento de depressão, Alzheimer e outras complicações psicológicas. Além disso, o estudo alerta para um fenômeno que vem sendo observado com maior frequência: a menopausa precoce.

Esse cenário pode estar relacionado ao estilo de vida contemporâneo, que influencia mudanças hormonais e de saúde. Portanto, especialistas defendem maior atenção das redes públicas de saúde.

Envelhecimento populacional exige novas políticas

O estudo também ressalta que o envelhecimento da população brasileira torna o tema ainda mais relevante. Atualmente, milhões de mulheres passam por essa fase da vida e enfrentam desafios físicos, emocionais e sociais.

Nesse sentido, os pesquisadores defendem que o país desenvolva um mapeamento nacional sobre a menopausa, permitindo compreender melhor a realidade brasileira. Assim, políticas públicas poderão ser planejadas de forma mais eficaz.

Segundo o documento, a ausência de políticas estruturadas não é neutra. Ao contrário, gera efeitos diretos sobre a saúde, a economia e a cidadania de milhões de mulheres.

Impactos também atingem economia e produtividade

Dados internacionais mostram que os efeitos da menopausa também têm impacto econômico. Por exemplo, nos Estados Unidos, os custos associados chegam a US$ 26,6 bilhões por ano. Globalmente, o valor ultrapassa US$ 150 bilhões.

Além disso, pesquisas indicam uma queda média de 10% nos rendimentos das mulheres afetadas. No Brasil, estimativas apontam que cerca de 29 milhões de mulheres estão nessa fase da vida. No entanto, apenas 22,4% buscam tratamento médico.

Diante desse cenário, os pesquisadores reforçam que tratar a menopausa como tema de política pública não significa patologizar o envelhecimento feminino. Pelo contrário, significa reconhecer essa etapa como parte legítima do ciclo de vida.

Tema começa a ganhar mais atenção no país

Durante o lançamento do estudo em Brasília, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, afirmou que o tema começa a receber maior atenção nas políticas de saúde.

Segundo ela, discussões recentes dentro do ministério mostram que grupos voltados à menopausa têm participado ativamente dos debates sobre o ciclo de vida feminino. Assim, cresce o reconhecimento da necessidade de ampliar políticas de prevenção e cuidado.

Por fim, especialistas defendem que ampliar informação, assistência médica e políticas públicas específicas pode reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida de milhões de mulheres brasileiras.

Frase-Chave: Mudanças hormonais e de saúde.

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