• 06 março, 2026

Campanha “Feminicídio Nunca Mais” é lançada no Brasil com mobilização pelo futebol feminino

O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, foi iluminado na noite de terça-feira (3) com mensagens de combate à violência contra a mulher durante o lançamento da campanha internacional “Feminicídio Nunca Mais”. Além disso, a iniciativa utiliza o futebol feminino como plataforma de mobilização social, especialmente no caminho para a Copa do Mundo Feminina da FIFA de 2027, que será realizada no Brasil.

O evento reuniu autoridades, atletas e representantes de instituições públicas. Entre os presentes, estavam a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, dirigentes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da Embratur e da Petrobras. Além disso, veteranas do futebol feminino participaram da cerimônia e da campanha institucional exibida pela TV Brasil.

A mobilização integra a NO MORE Week, movimento internacional dedicado à conscientização sobre violência doméstica e sexual. Para marcar o início da campanha no país, o monumento recebeu iluminação na cor teal (verde-azulado), símbolo global de solidariedade às sobreviventes de violência. Além disso, projeções exibiram frases de enfrentamento ao feminicídio.

Cristo Redentor ganha simbolismo especial na campanha

A cerimônia começou com a fala do reitor do Santuário do Cristo Redentor, Padre Omar Raposo. Durante a abertura, ele destacou o simbolismo histórico do monumento e sua ligação com o protagonismo feminino.

Segundo o religioso, o próprio nome da estátua possui inspiração histórica. De acordo com ele, o Cristo recebe o título de Redentor por referência à princesa Isabel, considerada uma figura redentora na história brasileira.

Padre Omar também ressaltou um detalhe artístico da escultura. Além disso, explicou que as mãos abertas da imagem teriam sido inspiradas nas mãos de uma mulher artista que viveu em Santa Teresa durante o período da construção do monumento.

TV Brasil lança prêmio nacional para o futebol feminino

Durante o evento, a TV Brasil lançou o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, a primeira premiação nacional dedicada exclusivamente ao futebol feminino.

Segundo a diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antônia Pellegrino, a iniciativa reforça o papel da comunicação pública na valorização da modalidade. Além disso, ela destacou que a emissora ampliou significativamente a presença do futebol feminino na televisão aberta.

“Desde 2024, a TV Brasil assumiu uma posição estratégica: ser a tela do futebol feminino”, afirmou. Ao mesmo tempo, a diretora destacou que dar visibilidade ao esporte feminino significa promover reconhecimento, legitimidade e novas oportunidades para as mulheres.

Pioneiras do esporte participam da mobilização

O evento também reuniu pioneiras do futebol feminino brasileiro, que participaram do vídeo institucional da campanha contra a violência.

Entre elas estava Rosilane Camargo Mota, conhecida como Fanta 21, uma das primeiras atletas da seleção feminina. Durante o evento, ela relembrou os desafios enfrentados pelas jogadoras em um período em que o futebol feminino chegou a ser proibido no país.

“Tenho muita gratidão por ter vivido essa história”, afirmou. Além disso, a ex-jogadora disse esperar que a Copa do Mundo Feminina no Brasil ajude a ampliar o reconhecimento das atletas que abriram caminho para o esporte.

Fanta também destacou a importância de associar o futebol ao combate à violência contra mulheres. Segundo ela, o esporte pode fortalecer campanhas de conscientização e mobilizar diferentes públicos.

Esporte como ferramenta de transformação social

Para a diretora executiva da No More Foundation no Brasil, Daniela Grelin, a campanha busca ampliar a articulação internacional no enfrentamento à violência de gênero.

Segundo ela, o esporte possui grande capacidade de transformação social. Além disso, quando sistemas esportivos promovem equidade de gênero e valorizam lideranças femininas, contribuem para mudar normas sociais relacionadas à violência e ao poder.

Nesse contexto, a iluminação do Cristo Redentor também simboliza uma mobilização global. Nos próximos dias, monumentos e prédios públicos de Nova York também receberão a mesma iluminação em apoio à campanha.

Autoridades destacam importância da mobilização

Durante o lançamento, a primeira-dama Janja Lula da Silva ressaltou o potencial do futebol para ampliar o debate sobre violência contra mulheres.

Segundo ela, o esporte possui forte alcance social. Por isso, utilizar o futebol feminino como plataforma de conscientização pode ampliar o diálogo em diferentes setores da sociedade.

“O futebol fala todas as línguas e chega a todas as classes sociais”, afirmou. Além disso, Janja destacou que as próprias atletas enfrentam desafios como misoginia e desigualdade salarial.

O presidente da EBC, André Basbaum, reforçou que a mobilização busca provocar uma reação da sociedade diante dos altos índices de violência.

Já a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou o papel do esporte como instrumento de transformação. Segundo ela, a união entre esporte, liderança e protagonismo feminino contribui para reduzir a violência e ampliar a conscientização.

Campanha busca ampliar conscientização social

Entre os participantes também estava a professora e ativista Dilceia Quintela, integrante do movimento feminista de combate ao feminicídio. Para ela, mobilizações como essa ajudam a ampliar o debate público sobre o tema.

Dilceia ressaltou que o combate ao feminicídio exige a participação de toda a sociedade. Além disso, destacou a importância de envolver homens na discussão.

Pesquisas citadas por ativistas indicam que casos de violência doméstica podem aumentar em dias de jogos de futebol masculino. Por isso, especialistas defendem novas narrativas no esporte.

Campanha global busca prevenir violência

Lançada em 2013, a campanha NO MORE tornou-se um movimento global de enfrentamento à violência doméstica e sexual. Desde então, a iniciativa busca ampliar a conscientização pública, apoiar sobreviventes e promover mudanças culturais.

No Brasil, as transmissões de futebol feminino da TV Brasil exibirão peças de conscientização com atletas e personalidades do esporte. Assim, a campanha pretende utilizar o alcance do futebol para fortalecer a mensagem de combate à violência contra mulheres e meninas.

Frase-Chave: Casos de violência doméstica.

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