• 07 março, 2026

Uma em cada cinco crianças e adolescentes vive com sobrepeso ou obesidade

Dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 revelam um cenário preocupante para a saúde infantil. Atualmente, cerca de 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo vivem com sobrepeso ou obesidade, o equivalente a uma em cada cinco pessoas nessa faixa etária. Ao todo, são aproximadamente 419 milhões de jovens afetados.

Além disso, a Federação Mundial de Obesidade alerta que a situação pode se agravar. Segundo projeções, até 2040 esse número pode chegar a 507 milhões de crianças e adolescentes com excesso de peso em todo o planeta.

Impactos na saúde começam ainda na infância

A entidade destaca que a obesidade infantil pode provocar consequências semelhantes às observadas em adultos. Por exemplo, crianças com excesso de peso apresentam maior risco de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares e alterações metabólicas.

Nesse sentido, as estimativas indicam que, até 2040, cerca de 57,6 milhões de crianças poderão apresentar sinais precoces de doenças cardiovasculares. Além disso, outras 43,2 milhões poderão desenvolver hipertensão.

Portanto, especialistas reforçam que a prevenção precisa começar cedo. No entanto, o relatório aponta que muitos países ainda não implementaram políticas suficientes para enfrentar o problema.

Especialistas pedem políticas públicas mais firmes

De acordo com a federação, as ações atuais ainda são insuficientes para reduzir os índices de obesidade infantil. Por isso, o relatório defende a adoção de medidas mais amplas.

Entre as estratégias sugeridas, estão a taxação de bebidas açucaradas, restrições à publicidade direcionada às crianças, incentivo à atividade física, proteção ao aleitamento materno e melhorias na alimentação escolar.

Além disso, o documento recomenda integrar a prevenção da obesidade aos sistemas de atenção primária à saúde. Dessa forma, seria possível identificar precocemente crianças em risco e oferecer acompanhamento adequado.

Situação também preocupa no Brasil

No Brasil, os números seguem a mesma tendência global. Atualmente, cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos vivem com sobrepeso ou obesidade. Quando se considera a faixa etária de 10 a 19 anos, o número sobe para 9,9 milhões.

Assim, o país registra aproximadamente 16,5 milhões de crianças e adolescentes com excesso de peso.

Além disso, os impactos na saúde já começam a aparecer. Em 2025, cerca de 1,4 milhão de jovens foram diagnosticados com hipertensão associada ao Índice de Massa Corporal (IMC). Ao mesmo tempo, 572 mil apresentaram hiperglicemia, 1,8 milhão triglicerídeos elevados e 4 milhões desenvolveram doença hepática esteatótica metabólica, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.

Projeções indicam agravamento do problema

As projeções indicam que os números podem crescer nos próximos anos. Até 2040, especialistas estimam que mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes no Brasil poderão apresentar hipertensão associada ao IMC.

Além disso, cerca de 635 mil poderão desenvolver hiperglicemia, enquanto 2,1 milhões devem apresentar níveis elevados de triglicerídeos. Da mesma forma, o número de jovens com doença hepática metabólica também tende a aumentar.

Obesidade infantil é desafio global

Para o vice-presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Bruno Halpern, o crescimento dos índices é alarmante.

Segundo ele, principalmente em países de média e baixa renda, o consumo de alimentos ultraprocessados, baratos e pobres em nutrientes cresce de forma acelerada.

Consequentemente, crianças de famílias com menor renda acabam sendo mais afetadas. Além disso, o especialista destaca que o Brasil segue a mesma tendência observada em outros países.

Problema exige resposta coletiva

Halpern ressalta que a obesidade não deve ser tratada apenas como uma questão individual. Pelo contrário, trata-se de um problema social, econômico e de saúde pública.

Por isso, ele defende políticas públicas voltadas à redução do consumo de ultraprocessados, ao controle da publicidade infantil e ao incentivo a hábitos saudáveis desde cedo.

Além disso, o especialista destaca a importância de cuidar da saúde materna, já que a obesidade nas mães pode aumentar o risco de obesidade nos filhos.

Em síntese, especialistas reforçam que combater a obesidade infantil exige ações integradas da sociedade, governos e famílias. Somente assim será possível reduzir os impactos desse problema que cresce em todo o mundo.

Frase-Chave: Risco de obesidade nos filhos.

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