• 12 março, 2026

Brasília receberá título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural

A cidade de Brasília receberá o título de Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural durante um evento internacional que acontece entre esta quarta-feira (11) e sexta-feira (13). Além disso, o encontro reunirá representantes de diversas capitais ibero-americanas para discutir estratégias conjuntas de preservação do patrimônio cultural.

Nesse contexto, o evento sediará a reunião do Comitê Setorial de Patrimônio Cultural da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas, organização que reúne capitais de países de língua espanhola e portuguesa.

As atividades ocorrerão no Salão Nobre do Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

Encontro discute proteção do patrimônio cultural

Durante o evento, especialistas e gestores públicos irão debater estratégias para proteger patrimônios culturais materiais e imateriais, além de discutir novas políticas públicas voltadas à preservação histórica.

Além disso, o encontro também busca promover:

  • intercâmbio de boas práticas entre cidades

  • fortalecimento da identidade histórica urbana

  • cooperação internacional na gestão do patrimônio cultural

Segundo o secretário de Relações Internacionais do Distrito Federal, Paco Britto, o reconhecimento amplia a projeção internacional da capital brasileira.

“O novo título amplia a projeção internacional de Brasília como capital do diálogo, da diplomacia e da preservação do patrimônio”, afirmou.

Cidade já é Patrimônio Cultural da Humanidade

Brasília já possui um reconhecimento internacional importante. Desde 1987, a cidade é considerada Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco.

Dessa forma, o novo título reforça ainda mais a importância da capital brasileira no cenário cultural internacional.

Além disso, o encontro também dará continuidade às discussões iniciadas na reunião realizada em Lima, em 2025.

Ao final do evento, os participantes pretendem apresentar uma Carta de Compromisso conjunta, voltada à preservação e à gestão sustentável do patrimônio cultural nas cidades participantes.

Rede reúne capitais de 24 países

Atualmente, a UCCI reúne 29 cidades de 24 países ibero-americanos.

No Brasil, além de Brasília, também participam da rede as cidades de:

  • São Paulo

  • Rio de Janeiro

Somadas, essas regiões representam aproximadamente 76 milhões de habitantes, que compartilham os idiomas português e espanhol.

Assim, a UCCI atua como uma plataforma de cooperação urbana, permitindo o compartilhamento de experiências e a disseminação de boas práticas entre as capitais.

Brasília tem identidade cultural única

Para especialistas, a capital brasileira possui características culturais únicas. Segundo a pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília, a cidade apresenta grande riqueza cultural.

“Brasília é uma capital reconhecida internacionalmente pela arquitetura e pelos processos culturais que aqui acontecem”, afirmou.

De acordo com a pesquisadora, a diversidade cultural da cidade resulta da mistura de influências vindas de diferentes regiões do Brasil.

Além disso, essa diversidade atravessa gerações e contribui para formar uma paisagem cultural singular.

“Há uma paisagem cultural muito rica, que é a grande beleza de Brasília”, destacou.

Capital também simboliza momentos históricos do país

Brasília também se tornou um símbolo da democracia brasileira em diferentes momentos históricos.

Entre eles estão:

  • a promulgação da Constituição de 1988

  • movimentos em defesa da liberdade e da democracia

  • a resistência institucional após os Ataques de 8 de janeiro de 2023

Segundo a pesquisadora, esses acontecimentos reforçam o papel simbólico da capital no cenário político e cultural do país.

“Eu entendo que Brasília é uma cidade à frente do tempo”, afirmou.

Preservação ainda enfrenta desafios

Apesar do reconhecimento internacional, especialistas apontam que a preservação do patrimônio em Brasília ainda enfrenta desafios.

Segundo Angelina Nardelli, durante os primeiros anos da cidade — especialmente no período da Ditadura Militar no Brasil — houve ausência de legislação adequada para proteger o patrimônio urbanístico.

Esse cenário começou a mudar apenas após o reconhecimento da cidade pela Unesco, em 1987.

Mais recentemente, a capital aprovou o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), instrumento que estabelece diretrizes para a proteção da área tombada.

Mesmo assim, especialistas afirmam que ainda são necessários mais investimentos e políticas públicas para garantir a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade.

“A capital é uma cidade muito nova e ainda precisa avançar na preservação do patrimônio”, concluiu a pesquisadora.

Agência Brasil.

Frase-Chave: Investimentos e políticas públicas.

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