
- 12 março, 2026
Vereador do Rio é preso suspeito de ligação com o Comando Vermelho
O vereador de Rio de Janeiro Salvino Oliveira Barbosa, do PSD, foi preso nesta quarta-feira (11) por agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Além disso, as autoridades investigam suspeitas de ligação do parlamentar com a facção criminosa Comando Vermelho, considerada uma das maiores organizações do crime organizado no estado.
Ao mesmo tempo, os investigadores também apuram possíveis interferências políticas em áreas dominadas pelo tráfico, com o objetivo de ampliar influência eleitoral nesses territórios.
Salvino Barbosa também atuou anteriormente como secretário municipal da Juventude na capital fluminense.
Investigação aponta negociação com traficante
De acordo com as investigações, o vereador teria tentado negociar diretamente com integrantes do tráfico para realizar campanha eleitoral em comunidades controladas pela facção.
Segundo a polícia, o parlamentar teria conversado com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, para conseguir autorização para fazer campanha na comunidade da Gardênia Azul.
Essa região da zona oeste da cidade permanece sob domínio do Comando Vermelho.
Além disso, as investigações apontam que, em troca do apoio eleitoral, o vereador teria articulado benefícios ao grupo criminoso.
Entre os exemplos analisados pela polícia está a instalação de quiosques na comunidade, apresentada publicamente como ação voltada à população local.
Entretanto, conforme apurado, integrantes da facção teriam indicado parte dos beneficiários sem qualquer processo público ou transparente.
Defesa aguarda esclarecimentos
Por outro lado, a assessoria do vereador informou que ainda não recebeu comunicação oficial sobre a prisão.
Além disso, o gabinete afirmou que acionou a equipe jurídica para acompanhar o caso e entender os fatos.
“A assessoria jurídica já foi acionada e aguardamos esclarecimentos das autoridades competentes para compreender os fatos”, informou a defesa.
Operação Red Legacy investiga estrutura da facção
A prisão ocorreu durante a Operação Contenção Red Legacy, conduzida pela Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil.
A operação tem como objetivo desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho, que, segundo as investigações, atua como uma organização criminosa altamente estruturada.
Além disso, os investigadores identificaram:
cadeia de comando organizada
divisão territorial da atuação da facção
articulação entre integrantes em diferentes estados
Até o momento, os agentes prenderam seis suspeitos, incluindo o vereador do Rio de Janeiro.
Familiares de líder da facção também são investigados
Durante as apurações, a polícia também identificou a participação de familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, apontado como um dos principais líderes históricos da facção.
Segundo a investigação, Márcia Gama atuaria como intermediária de interesses do grupo fora do sistema prisional.
Além disso, ela teria participado da circulação de informações entre integrantes da organização criminosa e operadores externos.
Outro investigado é Landerson Nepomuceno, apontado como responsável por conectar lideranças da facção, integrantes que atuam nas comunidades e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pelo grupo.
Entretanto, até o momento, Márcia Gama e Landerson não foram localizados e são considerados foragidos da Justiça.
Organização explorava atividades econômicas
Ao longo das investigações, a polícia também identificou um conjunto de atividades econômicas utilizadas para financiar a facção criminosa.
Entre elas estão:
exploração de serviços em comunidades
controle de imóveis
negócios utilizados para geração de recursos
Além disso, os investigadores encontraram casos de criminosos que se passavam por policiais militares para obter vantagens ilícitas, como acesso a informações sigilosas ou simulação de operações policiais.
Por outro lado, a Polícia Civil destacou que essas condutas não representam a atuação da grande maioria dos profissionais de segurança pública, que trabalham com compromisso com a sociedade.
Estrutura criminosa possui alcance nacional
De acordo com os investigadores, o Comando Vermelho mantém uma estrutura complexa de organização, com conselhos nacionais e regionais responsáveis por coordenar suas atividades.
Além disso, a investigação aponta indícios de cooperação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, outra grande facção criminosa brasileira.
Mesmo após quase três décadas no sistema prisional, as apurações indicam que Marcinho VP continua exercendo influência na estrutura de comando da organização.
Entre os nomes apontados como peças estratégicas dentro da facção também aparecem:
Doca, considerado liderança nas ruas
Luciano Martiniano da Silva, conhecido como “Pezão”, responsável pela gestão financeira
Carlos da Costa Neves, chamado de “Gardenal”, encarregado de executar decisões da liderança
Investigações continuam
Por fim, a Polícia Civil informou que as investigações continuam em andamento.
Além disso, a corporação pretende aprofundar a responsabilização penal dos envolvidos e ampliar o combate às estruturas financeiras, operacionais e institucionais utilizadas pela organização criminosa.
Agência Brasil.












