
- 15 março, 2026
De Ribas para salvar uma vida: após anos no Redome, Renata doa medula para paciente compatível
Um cadastro feito ainda na adolescência acabou se transformando, anos depois, na chance real de salvar uma vida. Aos 31 anos, Renata Rodrigues atendeu ao chamado do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea e realizou a doação de medula para um paciente compatível.
O transplante ocorreu em 28 de outubro de 2025. No entanto, a história começou muito antes. Renata se cadastrou aos 18 anos durante uma campanha em Ribas do Rio Pardo.
Na época, ela participava de campanhas de doação de sangue promovidas pelo Rotary International no município. Assim que atingiu o peso mínimo exigido, passou a doar sangue regularmente.
“Eu tinha 17 anos quando consegui doar sangue pela primeira vez”, relembra.
Pouco tempo depois, ela também decidiu se cadastrar como possível doadora de medula óssea. Apesar disso, inicialmente sentiu receio.
“Perguntei se doía. Eles explicaram que ali era apenas o cadastro e que a compatibilidade é rara. Disseram também que, se acontecesse, entrariam em contato.”
Renata autorizou o registro no sistema e seguiu a vida normalmente. Ainda assim, manteve sempre os mesmos contatos atualizados.
O telefonema que mudou tudo
Anos depois, ela recebeu uma mensagem perguntando se poderia ir a Campo Grande para realizar exames de compatibilidade. Naquele momento, porém, a confirmação ainda não existia.
Ela realizou a coleta de sangue e aguardou o resultado. O prazo informado era de até 180 dias.
No entanto, cerca de 175 dias depois, a equipe confirmou a compatibilidade e perguntou se ela desejava continuar com o processo.
“Eu disse sim na hora”, conta.
Na época, Renata era mãe de Liz, de 7 anos, e de Leonardo, de 1 ano e 7 meses. Mesmo assim, precisou reorganizar toda a rotina para permanecer alguns dias fora de casa.
“Não hesitei. Porém, logo pensei em como faria com duas crianças pequenas.”
Como funciona a doação de medula
Após a confirmação, Renata seguiu para São Paulo para realizar exames complementares e receber orientações médicas.
Durante essa etapa, os profissionais explicaram as duas formas possíveis de doação:
Punção da medula na região da bacia
Coleta por aférese, método utilizado no caso dela
Na aférese, o doador utiliza uma medicação por alguns dias para aumentar o número de células-tronco no sangue. Em seguida, uma máquina coleta o sangue, separa as células necessárias e devolve o restante ao organismo.
Todo o procedimento ocorre em centro especializado e recebe custeio do Instituto Nacional de Câncer e do Ministério da Saúde.
Renata permaneceu cerca de seis horas conectada ao equipamento.
“Eles explicam tudo com muita clareza. Por isso, me senti segura o tempo todo”, relata.
Desafios durante o período longe da família
Ao todo, Renata passou nove dias em São Paulo. Ainda assim, o momento mais difícil foi ficar longe da família.
“Ficar nove dias longe deles pesou muito. Meu filho ainda era muito pequeno. O apego é muito forte. Mesmo assim, eu sabia que era por uma causa valiosa.”
Além disso, existia a possibilidade de realizar uma segunda coleta caso a primeira não atingisse a quantidade necessária de células.
No entanto, quando recebeu a confirmação de que a primeira doação já havia sido suficiente, a emoção tomou conta.
“Quando a médica disse que tinha dado certo e que não precisaria repetir, eu desabei. Foi uma emoção muito grande.”
Anonimato e esperança
Por regra do sistema de transplantes, o doador não recebe informações detalhadas sobre o receptor. Por isso, Renata sabe apenas que o paciente é brasileiro.
Mesmo assim, ela não deixa de pensar na pessoa que recebeu a doação.
“A gente pensa na pessoa que está do outro lado esperando. Eu espero que esteja bem, com saúde. Que isso tenha sido um recomeço.”
Ao final do processo, ela recebeu uma camiseta simbólica que marca a participação como doadora de medula óssea.
“É uma experiência única. Vou lembrar para sempre com muito carinho.”
Uma história que incentiva novas doações
Depois de voltar à rotina em uma loja de roupas infantis em Ribas do Rio Pardo, Renata decidiu compartilhar sua história para incentivar outras pessoas a fazer o cadastro como doadoras.
“Doem sangue. E também se cadastrem como doadores de medula óssea. Isso pode mudar completamente a vida de alguém.”
Como se tornar doador de medula óssea
A medula óssea produz as células do sangue, e o transplante ajuda pacientes que enfrentam doenças que afetam essas células.
Para se cadastrar como doador voluntário é necessário:
Ter entre 18 e 35 anos e 9 meses
Não possuir doenças infecciosas ou incapacitantes
Não apresentar doenças neoplásicas, hematológicas ou do sistema imunológico
Quando ocorre compatibilidade, o Redome entra em contato com o doador. Além disso, todo o procedimento recebe custeio do Redome, do INCA e do Ministério da Saúde.
Em Mato Grosso do Sul, o cadastro pode ser realizado nas unidades da rede Hemosul, em Campo Grande e no interior do Estado.
Segundo a chefe do setor de captação do Hemosul, Lucéia Fernandes, somente em 2024 sete pessoas de Mato Grosso do Sul efetivaram a doação de medula óssea.
“Podemos afirmar que mais de 100 doadores do nosso Estado já foram compatíveis com pacientes e realizaram a doação, tanto para pessoas no Brasil quanto no exterior”, explica.
Atualmente, o Estado registra 197.502 cadastros de doadores voluntários de medula óssea, acumulados entre 2001 e 2025.
Por isso, Lucéia reforça um ponto essencial: manter os dados atualizados.
“Cada novo cadastro representa uma possibilidade concreta de compatibilidade para quem aguarda um transplante. Por isso, é fundamental manter telefone e endereço sempre atualizados.”
Secretaria de Estado de Saúde-MS.












