
- 22 março, 2026
MEC pune mais de 50 cursos de medicina após desempenho insuficiente no Enamed 2025
O Ministério da Educação (MEC) aplicou sanções a mais de 50 cursos de medicina que registraram desempenho insatisfatório no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025. As medidas, publicadas nesta semana no Diário Oficial da União (DOU), vão desde a suspensão do ingresso de novos alunos até restrições ao Programa Universidade para Todos (Prouni) e ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Além disso, a decisão se baseia na avaliação de 351 cursos. As instituições punidas receberam notas 1 e 2, em uma escala que vai até 5. Nesse contexto, o MEC definiu o rigor das sanções conforme o percentual de estudantes proficientes em cada unidade. Ou seja, quanto pior o desempenho, mais severa foi a medida aplicada.
MEC divide sanções por grupos de desempenho
Para organizar as punições, o ministério separou as instituições em três grupos, de acordo com a gravidade dos resultados. Dessa forma, cada faixa de desempenho passou a receber medidas proporcionais ao nível de insuficiência identificado no exame.
Grupo 1 recebe punição mais severa
No Grupo 1, entram as instituições com nota 1 e menos de 30% de estudantes com proficiência. Nesse caso, o MEC aplica a sanção mais dura: suspensão imediata de novos ingressos, proibição de abertura de novas vagas e abertura de processo de supervisão.
Além disso, essas instituições ficam impedidas de celebrar contratos do Fies e de participar de outros programas federais de acesso ao ensino superior.
As instituições enquadradas nesse grupo são:
Universidade Estácio Angra dos Reis
União das Faculdades dos Grandes Lagos
Centro Universitário de Adamantina
Faculdade de Dracena
Centro Universitário Alfredo Nasser
Faculdade Metropolitana
Centro Universitário Uninorte
Grupo 2 sofre corte de 50% das vagas
Já o Grupo 2 reúne instituições com nota 1 e proficiência entre 30% e 40% dos estudantes. Nesses casos, o MEC determina a redução de 50% das vagas autorizadas, além de impedir a expansão dos cursos.
Ao mesmo tempo, essas instituições também enfrentam proibição de celebrar contratos do Fies e restrições para participar de programas federais.
Entram nesse grupo:
Centro Universitário Presidente Antônio Carlos
Universidade Brasil
Universidade do Contestado
Universidade de Mogi das Cruzes
Universidade Nilton Lins
Centro Universitário de Goiatuba
Centro Universitário das Américas
Faculdade da Saúde e Ecologia Humana
Centro Universitário CEUNI (Fametro)
Faculdade São Leopoldo Mandic de Araras
Faculdade Estácio de Jaraguá do Sul
Faculdade Zarns (Itumbiara)
Grupo 3 terá redução de 25% das vagas e restrições federais
Por sua vez, o Grupo 3 inclui instituições com nota 2 e proficiência entre 40% e 50%. Nesse grupo, o MEC determina redução de 25% das vagas e impõe restrições a programas federais de financiamento.
As instituições penalizadas são:
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
Universidade de Ribeirão Preto
Universidade Iguaçu
Universidade Santo Amaro
Universidade de Marília
Universidade Paranaense
Afya Universidade Unigranrio
Centro Universitário Serra dos Órgãos
Universidade de Cuiabá
Centro Universitário Maurício de Nassau de Barreiras
Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
Afya Centro Universitário de Porto Velho
Centro Universitário Ingá
Faculdade de Medicina Nova Esperança
Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
Faculdade Atitus Educação Passo Fundo
Afya Centro Universitário de Itaperuna
Centro Universitário Maurício de Nassau
Faculdade Morgana Potrich
Afya Faculdade de Porto Nacional
Faculdade Uninassau Vilhena
Centro Universitário Famesc
Faculdade de Medicina de Olinda
Faculdade Estácio de Alagoinhas
Faculdade Atenas Passos
Faculdade Estácio de Juazeiro
Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes
Faculdade Unicesumar de Corumbá
Faculdade Estácio de Canindé
Afya Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês
Outras 40 graduações entram em supervisão sem punição imediata
Além desses casos, outras 40 graduações de medicina que obtiveram nota 2, mas registraram proficiência acima de 50%, entraram em processo de supervisão e monitoramento. Nesse cenário, o MEC não aplicou punições imediatas.
Ainda assim, essas instituições passam a ser acompanhadas e mantêm o direito de defesa. Portanto, o ministério adota uma estratégia de monitoramento antes de avançar para eventuais medidas mais duras.
Universidades federais também entram na lista
O MEC também inclui instituições públicas entre as unidades que responderão a processos de supervisão. Nesse grupo, aparecem:
Universidade Federal do Pará (UFPA)
Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila)
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
No entanto, entre as federais, apenas a UFPA recebe sanção imediata, com corte de 50% das vagas. As demais seguem em processo de supervisão.
MEC diz que medidas podem mudar conforme resultado do Enamed 2026
Segundo o ministério, as medidas cautelares adotadas agora podem ser revistas, prorrogadas ou até agravadas com base nos resultados do Enamed 2026. Em outras palavras, o desempenho futuro das instituições terá peso decisivo na manutenção, redução ou ampliação das sanções.
Assim, o MEC sinaliza que pretende usar o exame como instrumento contínuo de acompanhamento da qualidade da formação médica no país.
Sanções ampliam pressão por qualidade na formação médica
Em síntese, a decisão do MEC amplia a pressão sobre cursos de medicina com desempenho considerado insuficiente. Mais do que punir, as medidas indicam uma tentativa de reforçar o controle sobre a qualidade da formação médica, especialmente em cursos que apresentam baixo percentual de estudantes proficientes.
Ao mesmo tempo, o resultado do Enamed 2026 passa a ser decisivo para o futuro dessas graduações, já que o ministério poderá manter, rever ou endurecer as punições conforme a evolução de cada instituição.












