• 30 março, 2026

Calor desigual reforça monitoramento climático em favelas do Rio

Mesmo com o fim do verão em março, as altas temperaturas continuam evidenciando a necessidade de monitorar os impactos do calor nas favelas do Rio de Janeiro. Diante desse cenário, a prefeitura decidiu ampliar o alcance do Observatório do Calor, que já atua no Complexo do Alemão.

Dados revelam desigualdade térmica

Entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, o projeto realizou 710 medições de temperatura. Como resultado, identificou um pico de 43,92°C no Morro do Adeus, em 26 de dezembro.

No entanto, no mesmo dia, o sistema oficial Alerta Rio registrou máxima de apenas 34°C na cidade. Essa diferença expressiva, portanto, reforça a existência de ilhas de calor intensificadas em áreas vulneráveis.

Expansão para novas comunidades

Diante dessas evidências, a prefeitura anunciou a expansão do projeto para outras duas regiões: Manguinhos e Morro do Salgueiro.

Enquanto Manguinhos está localizada em uma área plana e próxima à Avenida Brasil, por outro lado, o Salgueiro fica nas encostas próximas ao Parque Nacional da Tijuca, o que cria condições ambientais distintas.

Ilhas de calor e fatores urbanos

O Observatório do Calor integra uma iniciativa da prefeitura para medir temperatura e qualidade do ar em territórios periféricos. Além disso, o projeto busca compreender como características urbanas influenciam o clima local.

Entre os principais fatores que intensificam o calor, destacam-se:

  • baixa presença de árvores
  • alta densidade de moradias
  • ruas estreitas
  • pouca ventilação

Nesse sentido, a secretária municipal do Ambiente e Clima, Tainá de Paula, ressaltou a importância da iniciativa:

“O Observatório nos permitirá entender melhor esses impactos de forma localizada.”

Participação da comunidade e universidades

Outro diferencial do projeto é a contratação de moradores locais para realizar as medições. Assim, além de gerar renda, a iniciativa fortalece o vínculo com a comunidade.

Os dados serão coletados três vezes ao dia e, posteriormente, analisados por especialistas. A partir disso, deverão surgir propostas de intervenções urbanas e ambientais.

A expansão também conta com apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Além das medições, pesquisadores irão ouvir moradores para compreender os impactos do calor no cotidiano.

Possíveis soluções urbanísticas

Em Manguinhos, por exemplo, a alta densidade populacional e a escassez de áreas verdes agravam o problema. Por isso, especialistas indicam a necessidade de mudanças estruturais e comportamentais.

Entre as soluções previstas, estão:

  • plantio de árvores
  • criação de áreas de sombra
  • ampliação de espaços permeáveis
  • abertura de corredores de ventilação

Dessa forma, será possível reduzir as temperaturas e melhorar a qualidade de vida.

Soluções comunitárias no Salgueiro

Já no Morro do Salgueiro, a proposta vai além do monitoramento. Além disso, o projeto pretende valorizar práticas locais já existentes, como hortas e quintais produtivos.

Segundo Emerson Menezes, a comunidade apresenta características próprias:

“Temos áreas arborizadas e hortas, o que influencia diretamente na percepção de calor.”

Ainda assim, ele ressalta desafios comuns às favelas, como o acesso limitado a sistemas de refrigeração.

Integração entre ciência e realidade local

O projeto também conta com o apoio de iniciativas comunitárias, como o Instituto Sal-Laje e o Coletivo Manguinhos Cria. Dessa maneira, a proposta combina ciência, participação social e soluções práticas.

Em síntese, o Observatório do Calor não apenas mede temperaturas, mas também contribui para políticas públicas mais eficientes. Ao mesmo tempo, fortalece o debate sobre justiça climática e evidencia a necessidade de olhar para as desigualdades urbanas com mais atenção.

Frase-Chave: Apoio de iniciativas comunitárias.

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