
Em Campo Grande, posto líder em emissões se torna referência em atendimento a pessoas com autismo
No coração de Campo Grande, o posto de identificação instalado no Pátio Central — o mais movimentado do Estado — se consolida como referência em cidadania e inclusão. Ao completar um ano da sala “Posto Amigo do Autista”, a unidade amplia o acesso à documentação civil e redefine o atendimento ao incorporar práticas adaptadas às necessidades de pessoas com TEA (transtorno do espectro autista).
Números mostram impacto real
Os dados confirmam o avanço da iniciativa. Desde janeiro de 2024, o posto responde por cerca de 20% das CIN (Carteiras de Identidade Nacional) emitidas com o símbolo do TEA em Mato Grosso do Sul. Ao todo, a unidade já emitiu 1.098 documentos até o fim de março — resultado que demonstra a consolidação do serviço como parte da rotina pública.
Além disso, o Instituto de Identificação, responsável pela unidade e vinculado à Polícia Científica, mantém a liderança no volume geral de emissões. Com mais de 134 mil documentos expedidos, o posto concentra quase um quinto da produção estadual. Ao mesmo tempo, atende cerca de 500 pessoas por dia, o que exige eficiência sem abrir mão da qualidade e da equidade.
Ambiente adaptado garante atendimento completo
A equipe estruturou a sala adaptada após identificar dificuldades recorrentes no atendimento, como sobrecarga sensorial e interrupções na coleta biométrica. A partir disso, criou um espaço mais previsível e confortável.
O ambiente conta com isolamento acústico, recursos táteis e elementos que reduzem estímulos. Dessa forma, facilita a permanência do usuário e garante a conclusão do atendimento com mais tranquilidade.
Capacitação fortalece mudança institucional
O projeto contou com investimento de R$ 82 mil, viabilizado por contrato de gestão com a Sejusp. No entanto, a transformação vai além da estrutura física.
A equipe passou por capacitação específica, o que fortaleceu uma mudança de postura no atendimento. Como resultado, os servidores conduzem os processos com mais preparo e sensibilidade.
Hoje, situações que antes geravam remarcações quase não ocorrem. O atendimento flui melhor, reduz a ansiedade dos usuários e garante a finalização do processo — etapa essencial para o exercício da cidadania.
Política pública que gera acesso real
O “Posto Amigo do Autista” não se limita a uma ação pontual. Ele garante acesso efetivo a direitos ao eliminar barreiras sensoriais e estruturais no serviço público.
Além disso, a iniciativa amplia o papel do Instituto de Identificação e da Polícia Científica, que passam a atuar também como agentes de inclusão social.
Atendimento personalizado ganha espaço
O modelo adotado em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência crescente no setor público: adaptar o atendimento às necessidades reais da população.
Ao reconhecer que tratar todos de forma igual nem sempre gera equidade, o Estado avança para um modelo mais eficiente e humano.
Com mais de 13 mil documentos emitidos com identificação de deficiência — sendo o TEA o mais frequente —, a experiência reforça a importância de investir em estrutura, capacitação e escuta ativa.
Mais que um documento, um direito garantido
Emitir um documento pode parecer simples. No entanto, para muitas famílias, esse processo representa acesso a direitos, pertencimento e reconhecimento.
Por isso, iniciativas como o “Posto Amigo do Autista” mostram, na prática, como o serviço público pode transformar realidades.












