
Atlântico Sertão: Exposição no CCBB São Paulo redefine o sertão como símbolo de resistência
Com o objetivo de questionar estereótipos e oferecer novas perspectivas sobre o território brasileiro, o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) abre ao público, nesta quarta-feira (15), a mostra “Atlântico Sertão”. Dessa maneira, a exposição propõe um novo significado para a região, afastando-se da imagem tradicional da “terra rachada” para apresentá-la como um espaço ampliado de defesa dos direitos humanos. Nesse sentido, o projeto utiliza a arte para discutir o sertão não como um dado técnico dos mapas, mas como uma construção afetiva e imagética.
Da pesquisa acadêmica ao palco internacional
A princípio, a exposição baseia-se nas investigações acadêmicas de Marina Maciel, idealizadora do Coletivo Atlântico. Portanto, a mostra em São Paulo é o desdobramento de um projeto que já percorreu espaços prestigiados, como a sede da ONU em Genebra e as reuniões do G20 no Rio de Janeiro. Além disso, o coletivo utiliza a visibilidade da arte para impulsionar pautas políticas reais, como o projeto de lei que visa regulamentar a profissão de artista visual no Brasil.
Consequentemente, a exposição busca dar voz às pessoas que historicamente permaneceram à margem. De acordo com o curador Marcelo Campos, a intenção é retirar o sertão de suas estigmatizações:
“O sertão não é só a morte ou o gado seco; ao contrário, é sinônimo de tecnologia e de estratégias que permitem a vida em regiões como o Cariri”, destaca.
Uma jornada sensorial e tecnológica
No que diz respeito à estrutura da mostra, o visitante percorre seis eixos temáticos distribuídos por todos os andares do edifício. Dessa forma, a experiência é guiada por uma paleta de cores que simboliza diferentes aspectos da vida sertaneja:
Verde Profundo: Representa as veredas e a vida que floresce na resistência;
Azul: Reflete a imensidão do céu, a liberdade e as práticas espirituais;
Tons Quentes (Laranja e Vermelho): Simbolizam o pôr do sol e o “fogo das lutas” sociais.
Vale ressaltar ainda a presença de tecnologias contemporâneas na mostra. Por exemplo, o andar térreo abriga uma instalação digital inédita da artista biarritzzz. Assim sendo, a obra utiliza telas em formato triangular para conectar as sonoridades do forró aos ritmos dos desertos africanos, reforçando os fluxos culturais que atravessam o oceano.
Conexões entre Brasil e África
Quanto ao núcleo final da exposição, o foco volta-se para as heranças indígenas e africanas. Nesse contexto, a mostra discute como os saberes ancestrais e os modos de vida foram preservados apesar da opressão colonial. Dessa maneira, o sertão é apresentado como um território de circulação constante, onde diferentes tempos e geografias permanecem em diálogo direto com a diáspora africana.
Programação e itinerância
Logo após a temporada na capital paulista, a mostra seguirá para o CCBB Salvador, em setembro, e chegará ao CCBB Brasília no início de 2027. Paralelamente, o CCBB São Paulo promoverá debates com artistas e atividades educativas focadas em reparação histórica e direitos humanos.
Em suma, “Atlântico Sertão” convida o público a enxergar o interior do país com novos olhos. Afinal, ao colocar a arte a serviço da justiça social, a exposição demonstra que o sertão, tal como a resistência humana, está de fato em toda parte.












