• 21 abril, 2026

Ciência e Ancestralidade: UEMS promove debate sobre Epistemologias Indígenas e Crise Climática

Com o objetivo de enfrentar os desafios impostos pelas crises socioambientais contemporâneas, a Unidade Universitária de Campo Grande (Santo Amaro) da UEMS sedia, nesta quinta-feira (16), o evento “Epistemologias das Emergências”. Dessa maneira, a iniciativa busca “reflorestar o pensamento” ao integrar saberes tradicionais e debates acadêmicos sobre o Antropoceno. Nesse sentido, o encontro é organizado pelo Laboratório Mundéu e conta com o protagonismo de acadêmicos de Geografia e pesquisadores da Rede BioDiversa Centro-Oeste.

Diálogo entre Saberes e Resistência Territorial

A princípio, a programação foi estruturada para tensionar as fronteiras do conhecimento acadêmico convencional. Portanto, o evento reúne lideranças indígenas, artistas e pesquisadores de pós-graduação em mesas de discussão que abordam desde a cosmopolítica até a resistência territorial. Dessa forma, busca-se promover uma imersão teórica e prática sobre como os sistemas de conhecimento originários podem oferecer soluções para adiar o que os teóricos chamam de “fim do mundo”.

Vale ressaltar ainda que as atividades ocuparão diversos espaços da Unidade, incluindo salas do Bloco C e áreas de convivência. Consequentemente, a universidade se transforma em um território de intercâmbio cultural e científico, onde a presença indígena em espaços institucionais ganha o devido destaque.

Cronograma e Destaques da Programação

No que diz respeito à agenda do dia, as atividades foram divididas em quatro momentos principais para garantir uma cobertura abrangente dos temas propostos:

  • Manhã (09h30): A mesa de abertura discutirá as mudanças climáticas sob a ótica das ciências indígenas. Nesse contexto, participantes como Benilda Kadiwéu e Anastácio Peralta debaterão o papel desses conhecimentos na mitigação de impactos globais.

  • Tarde (13h30): O foco mudará para a presença indígena nas cidades e universidades. Assim sendo, o debate contará com a presença de representantes da medicina e do Conselho Municipal de Direitos Indígenas.

  • Tarde (16h00): Ocorrerá uma oficina dedicada às criações e fazeres práticos, com a participação do cineasta Luan Iturve e do grupo de dança Renda que Roda. Logo, as inscrições para esta atividade deverão ser feitas presencialmente no local.

Encerramento e Reflexão Cultural

Quanto ao encerramento das atividades, a noite será marcada por uma experiência cinematográfica ao ar livre. Dessa maneira, às 18h30, será exibido o documentário “Yõg ãtak: Meu Pai, Kaiowá”, obra que narra a dolorosa e resiliente busca de filhas por um pai separado delas durante a ditadura militar. Nesse sentido, o cine-debate subsequente explorará as nuances da resistência ritual dos povos Tikmũ’ũn e Kaiowá.

Por fim, a organização recomenda que os participantes tragam cangas ou tapetes para acomodação no gramado, favorecendo um ambiente de troca mais orgânico e próximo à natureza. Em suma, o evento na UEMS reafirma o compromisso da instituição com a diversidade de saberes. Afinal, entender as emergências atuais exige, acima de tudo, a escuta atenta das vozes que há milênios protegem a biodiversidade do nosso país.

Frase-Chave: Epistemologias das Emergências.

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