• 23 abril, 2026

Som, Sangue e Raça: Rádio Nacional celebra álbum icônico de Dom Salvador e banda Abolição

Com o objetivo de reverenciar um dos pilares da música negra brasileira, o programa Festa do Disco transmite, nesta quinta-feira (23), uma entrevista inédita com o pianista Dom Salvador. Dessa maneira, o músico de 87 anos conversa com a jornalista Cibele Tenório sobre os bastidores de Som, Sangue e Raça, álbum lançado em 1971 que se tornou objeto de desejo entre colecionadores e DJs ao redor do mundo. Nesse sentido, o programa destaca como a obra conseguiu unir o samba-jazz ao funk e ao soul, criando uma sonoridade atemporal que ainda ressoa nas pistas contemporâneas.

Resistência e Identidade na Música Brasileira

A princípio, a trajetória de Dom Salvador destaca-se pela ousadia de afirmar a identidade negra em pleno período de ditadura militar. Portanto, ao fundar a banda Abolição, o instrumentista autodidatada construiu um som que misturava a sofisticação do jazz com a energia do samba e do baião. Dessa forma, o grupo tornou-se um símbolo de resistência cultural, provando que a música poderia ser, simultaneamente, um espaço de experimentação estética e de afirmação política.

Vale ressaltar ainda que a banda Abolição serviu como um verdadeiro berço para outros grandes talentos da nossa discografia. Consequentemente, músicos como Oberdan Magalhães e Luiz Carlos “Batera” utilizaram essa experiência para fundar, posteriormente, a lendária Banda Black Rio. Assim sendo, embora a formação original tenha durado pouco tempo, o legado deixado por Salvador e seus parceiros reconfigurou o DNA do black power no Brasil.

O Álbum como Raridade Internacional

No que diz respeito ao valor histórico de Som, Sangue e Raça, o disco é hoje considerado uma raridade absoluta no mercado internacional. Dessa maneira, as cópias originais da gravadora CBS alcançam preços elevados em leilões, enquanto reedições recentes confirmam que a sonoridade de 1971 permanece atual. Nesse contexto, a faixa “Uma Vida” abre a edição do programa como um exemplo perfeito da maestria técnica de Dom Salvador, que já tocou com gigantes como Elis Regina e Wilson Simonal.

Além disso, o fato de Dom Salvador viver nos Estados Unidos há mais de cinco décadas confere um tom especial a este encontro nos estúdios da Rádio Nacional. Assim, ao retornar brevemente ao Brasil, o pianista oferece um relato precioso sobre o processo criativo de uma obra que não envelheceu. Logo, o ouvinte terá a oportunidade única de conhecer detalhes técnicos e curiosidades que explicam por que este álbum ainda é uma referência obrigatória para pesquisadores musicais.

Sobre o Programa Festa do Disco

Quanto à estrutura do programa, o Festa do Disco destaca-se por humanizar a história da música por meio de relatos de quem viveu a criação das obras. Por conseguinte, a cada semana, a jornalista Cibele Tenório conduz bate-papos que revelam as inspirações e os contextos sociais por trás de álbuns emblemáticos. Por outro lado, a intercalação entre as entrevistas e as faixas musicais permite que o público faça uma imersão completa no universo artístico do convidado.

Em suma, a edição com Dom Salvador reafirma o papel da Rádio Nacional na preservação da memória cultural do país. Afinal, o programa vai ao ar às 22h, mas também pode ser acessado via aplicativo Rádios EBC ou pelo site oficial da emissora. Logo, sintonizar nesta quinta-feira é garantir uma aula de história da música brasileira, narrada por um de seus protagonistas mais geniais e visionários.

Serviço de Transmissão:

  • Data e Hora: Quinta-feira (23/04), às 22h.

  • Onde ouvir: Rádio Nacional (Brasília, Rio, SP, Recife e São Luís).

  • Plataformas: Site da EBC e aplicativo Rádios EBC.

Frase-Chave: Som, Sangue e Raça.

Veja outras notícias  

Acompanhe no instagram