
Segurança Viária: Pesquisa aponta que 86% dos brasileiros apoiam exame toxicológico para CNH A e B
Com o objetivo de medir a aceitação social sobre as novas regras de trânsito, uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira de Toxicologia (ABTox) revelou um apoio massivo à exigência do exame toxicológico para as categorias A e B. Dessa maneira, o levantamento realizado pelo Instituto Ipsos-Ipec mostra que quase nove em cada dez brasileiros concordam com a medida, que foi integrada ao Código de Trânsito Brasileiro pela Lei nº 15.153/2025. Nesse sentido, o resultado reflete uma preocupação crescente da sociedade com a segurança nas vias e a redução de acidentes causados pelo uso de substâncias psicoativas.
Radiografia da Aprovação Nacional
A princípio, o suporte à medida é uniforme em todas as regiões e perfis demográficos do país. Portanto, seja em capitais ou em municípios do interior, o índice de aprovação não cai abaixo dos 80%. Dessa forma, os dados detalhados pelo levantamento apontam que:
Regiões: O Norte e o Centro-Oeste lideram o apoio com 88%, seguidos de perto pelo Nordeste com 87%.
Escolaridade: Entre pessoas com ensino superior, a aceitação atinge o pico de 91%.
Percepção de Crime: Para 68% dos ouvidos, a medida também auxilia no combate ao tráfico de drogas e ao crime organizado.
Impacto Social: Cerca de 69% dos entrevistados acreditam que o exame pode ajudar a reduzir a violência doméstica ligada ao consumo de entorpecentes.
Vale ressaltar ainda que a lei já está em vigor desde dezembro do ano passado, embora a implementação prática ainda dependa de estudos técnicos do Governo Federal. Consequentemente, o debate atual gira em torno da rapidez com que essa exigência será aplicada nos Detrans de todo o Brasil.
O Impasse da Regulamentação e a Posição do Governo
No que diz respeito à aplicação da norma, o Ministério dos Transportes informou que a exigência está sob análise da Câmara Temática de Saúde para o Trânsito. Dessa maneira, a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) avalia pontos críticos, como a capacidade dos laboratórios e os custos para o cidadão. Nesse contexto, relatores têm um prazo de 90 dias para apresentar subsídios técnicos que fundamentem a decisão final.
Além disso, a ABTox defende que a lei já possui clareza suficiente e não necessita de normas complementares complexas. Assim, a associação utiliza como argumento o sucesso do exame para motoristas profissionais (categorias C, D e E), que vigora desde 2015. Logo, os dados da Polícia Rodoviária Federal corroboram essa tese, registrando uma queda de 54% nos acidentes fatais envolvendo caminhões e ônibus após o início da fiscalização rigorosa.
Ciência e Impacto Econômico
Quanto à precisão técnica do teste, o exame é capaz de detectar o uso de substâncias acumuladas nos últimos seis meses por meio de medidas microscópicas (picogramas). Por conseguinte, o objetivo não é punir o consumo esporádico, mas sim identificar usuários frequentes que perderam a capacidade reativa e de orientação. De acordo com os defensores da medida, a prevenção de sinistros teria evitado uma perda de R$ 74 bilhões ao PIB brasileiro em decorrência de afastamentos e acidentes.
Em suma, o apoio popular ao exame toxicológico para motociclistas e motoristas de carros de passeio sinaliza um desejo por rodovias mais seguras. Afinal, a experiência com as categorias profissionais demonstrou que a fiscalização reduz drasticamente a mortalidade no trânsito. Logo, a expectativa é que o Ministério dos Transportes finalize a regulamentação em breve para que a lei cumpra seu papel de salvar vidas em escala nacional.












