• 28 abril, 2026

Direitos Humanos: Assassinatos e trabalho escravo no campo registram alta em 2025

Com o objetivo de mapear a realidade agrária do país, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançou, nesta segunda-feira (27), a 40ª edição do relatório Conflitos no Campo Brasil. Dessa maneira, o documento revela um cenário contraditório: embora o número total de ocorrências tenha caído 28%, a letalidade dos confrontos dobrou no último ano. Nesse sentido, o salto de 13 para 26 assassinatos de trabalhadores e povos tradicionais acende um alerta vermelho sobre a segurança nos territórios rurais, especialmente na região Norte.

A Amazônia como Epicentro da Violência

A princípio, a maior parte das mortes violentas concentrou-se na Amazônia Legal, que registrou 16 dos 26 casos nacionais. Portanto, estados como Pará e Rondônia lideram as estatísticas de extermínio decorrentes da disputa por terras públicas e áreas protegidas. Dessa forma, especialistas da CPT atribuem esse quadro ao fortalecimento de um “consórcio” entre a grilagem, o crime organizado e setores privados, que atuam de forma coordenada para expropriar territórios.

Vale ressaltar ainda que os fazendeiros aparecem como os principais agentes causadores dessa violência. Consequentemente, o relatório aponta que eles foram responsáveis por 20 dos 26 assassinatos registrados, atuando tanto como mandantes quanto como executores. Assim sendo, outras formas de repressão também cresceram exponencialmente, como os casos de humilhação, que saltaram de 5 para 142 registros, e o cárcere privado, que subiu de apenas um para 105 episódios.

Eixos de Conflito: Terra, Água e Trabalho

No que diz respeito à tipificação dos conflitos, a disputa por terra permanece como o problema central, representando 75% das ocorrências totais. Dessa maneira, povos indígenas, posseiros e quilombolas figuram como as principais vítimas de invasões e contaminações por agrotóxicos. Nesse contexto, outros eixos também apresentam dados alarmantes:

  • Conflitos pela Água: Envolvem principalmente a resistência contra mineradoras e hidrelétricas que poluem ou restringem o acesso aos recursos hídricos.

  • Trabalho Escravo: Houve um aumento de 5% nos casos registrados e um salto de 23% no número de trabalhadores resgatados.

  • Setores Críticos: A construção de usinas (como o caso de Porto Alegre do Norte – MT) e as lavouras de cana-de-açúcar concentram o maior volume de resgates.

Além disso, a CPT e o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) lançaram o Observatório Socioambiental para monitorar essas violações em tempo real. Assim, a plataforma digital permitirá que a sociedade civil e os órgãos de controle cruzem dados de desmatamento com o avanço das commodities. Logo, a transparência torna-se uma ferramenta de pressão para que o Estado atue de forma mais enérgica na proteção dessas comunidades.

Resposta Governamental e Prevenção

Quanto à posição oficial do Governo Federal, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) informou que tem intensificado a mediação de conflitos para evitar tragédias. Por conseguinte, a pasta destacou que já atuou em mais de 600 disputas, envolvendo cerca de 120 mil famílias. De acordo com a nota do ministério, Rondônia, Maranhão, Pará e Paraná foram definidos como áreas prioritárias para missões interinstitucionais de combate à violência ainda em 2026.

Em suma, o relatório de 2025 demonstra que a redução na quantidade de conflitos não se traduziu em um campo mais pacífico. Afinal, a violência tornou-se mais aguda e focalizada em lideranças e povos vulneráveis. Logo, a consolidação de políticas de reforma agrária e a fiscalização rigorosa contra o trabalho escravo permanecem como os únicos caminhos para reverter este histórico de extermínio e expropriação no interior do Brasil.

Frase-Chave: Conflitos no Campo Brasil.

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