• 16 junho, 2026

Alerta Ambiental: Estudo da Unirio aponta que mexilhões acumulam microplásticos e os transmitem a humanos

Os mexilhões podem funcionar como uma perigosa porta de entrada de microplásticos no corpo humano, segundo sugere um estudo científico da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Esses moluscos vivem em costões rochosos na beira do mar e integram diversas receitas tradicionais da gastronomia brasileira. A contaminação ocorre, portanto, porque esses seres se alimentam filtrando a água e simplesmente não conseguem distinguir as microalgas — seu alimento natural — dos elementos poluidores que flutuam nos mares e rios.

O Experimento Científico e a Falta de Seletividade

A revista científica Ocean and Coastal Research, editada pelo Instituto Oceanográfico da USP, publicou o estudo em parceria com a Agência Bori. Para alcançar esses resultados, os pesquisadores coletaram exemplares da espécie mexilhão-marrom (Perna perna) na Praia Vermelha, localizada na zona sul do Rio de Janeiro. Logo em seguida, os cientistas levaram os mariscos para o laboratório da universidade com o objetivo de simular as condições ambientais e avaliar o comportamento alimentar da espécie.

A equipe dividiu os moluscos em três grupos distintos para observar como eles filtrariam a água diante de três opções de solução: apenas microalgas, apenas microplásticos ou uma mistura de ambos. Ao analisarem os aquários após uma hora de teste, os pesquisadores constataram que os animais consumiram os materiais de forma indiscriminada. No tanque com a mistura, por exemplo, os mexilhões deixaram sobrar cerca de 48% das microalgas e 52% das esferas de plástico, comprovando, assim sendo, a total ausência de seletividade desses organismos.

Riscos para a Saúde Humana e a Ineficácia do Cozimento

No que diz respeito aos impactos na saúde pública, o cenário exige muita atenção dos consumidores frequentes de frutos do mar. Afinal, os microplásticos são fragmentos menores de lixo que se quebram na natureza sob o efeito do tempo e do sol, acumulando contaminantes químicos nocivos em sua superfície. De acordo com a bióloga marinha Raquel de Almeida Ferrando Neves, uma das coautoras do estudo, o grau de exposição humana a esses componentes perigosos dependerá diretamente do tipo de dieta de cada indivíduo.

Um ponto crítico do relatório científico revela que, diferentemente do que ocorre com bactérias e parasitas gastrointestinais, o ato de cozinhar o alimento não reduz os riscos à saúde. O processo de cozimento não elimina os níveis de contaminação por microplásticos ou metais pesados nos tecidos dos mexilhões. Além disso, a pesquisadora alerta que esse padrão alimentar se repete em qualquer ponto do litoral brasileiro, uma vez que a espécie mantém a mesma taxa de filtração independentemente da localidade.

Políticas Públicas e Monitoramento na Origem

Em suma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já reconhece a gravidade global da poluição por plástico e defende a ampliação de pesquisas sobre o tema. Diante disso, os cientistas da Unirio sustentam que o país precisa adotar ações práticas na origem do problema, implementando políticas públicas rígidas para reduzir o despejo de resíduos e restringir o uso de plásticos descartáveis.

Por fim, a equipe defende o monitoramento científico constante das áreas de maricultura onde ocorre o cultivo comercial desses organismos. Essa fiscalização contínua funciona, consequentemente, como o único caminho viável para garantir que a economia pesqueira e o consumo de frutos do mar sobrevivam com segurança nos próximos anos.

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